"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

sábado, 15 de julho de 2017

Série nomes que fizeram/fazem a Stock Car - Parte XII: Pilotos do Nordeste


Como bom Nordestino, não poderia deixar de fora dessa sequência do blog as histórias das participações de nossos pilotos na maior categoria do automobilismo. Nestes quase 40 anos da Stock, tivemos alguns exemplos de persistência, determinação e coragem dos pilotos vindo do Nordeste, região que apesar de contar com 02 autódromos, carentes de urgentes reformas, ainda depende da luta de abnegados esportistas e entusiastas para manter vivo o espírito do automobilismo.

A primeira participação de um piloto nordestino ocorreu logo na 1ª temporada, mais especificamente na 7ª etapa, disputada no Autódromo Virgílio Távora, em Eusébio (CE), quando o piloto local Luiz Alberto Pontes alugou o carro de Mauro Mota e marcou o 9º melhor tempo na classificação, fazendo frente a outros pilotos que iniciaram o campeonato inaugural, embora vários nomes fortes não viajaram para disputar aquela prova. Entretanto, Pontes não chegou a terminar a corrida.

Passados 08 anos, outro nome do Nordeste passou a figurar nos grids da Stock. Trata-se de Rogério dos Santos, o "Jegue Voador", que fez muito sucesso no Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos e na Fórmula Fiat. Naquele ano de 1987, Rogério participou de todas as etapas da temporada, exceto a prova disputada em Tarumã, sendo que o melhor resultado fora o 11º lugar obtido na 3ª etapa (Interlagos). Somente em 2000, o Jegue Voador voltou à Stock, quando disputou 02 provas, tendo obtido resultados discretos, enquanto que na temporada de 2006, disputou novamente 02 provas (as duas primeiras etapas), com a bolha do estreante VW Bora. Ao todo, foram 11 corridas na categoria.

Em 2001, o piloto pernambucano Adson Moura, irmão de Danuza Moura, disputou 05 corridas pela Equipe Hot Car, ano em que aconteceu a estréia do motor V8 na categoria. Cabe ressaltar que o piloto também participou das Mil Milhas de 2001* e 2002**, tendo alcançado a 8ª e 42ª posição na geral, respectivamente.

O nordestino de maior sucesso e que até hoje permanece na Stock estreou no ano de 2004, depois de passar por categorias como a Fórmula Chevrolet, chama-se Valdeno Brito. Paraibano, nascido em Campina Grande e radicado em João Pessoa, estreou pela equipe Nascar Motorsports, de Aloysio Andrade Filho, na última temporada em que o proprietário se dividiu entre as funções de chefe de equipe e piloto, quando seu posto fora assumido por Wagner Ebrahim. Desde então, Valdeno tem sido figura constante nos pódios da Stock, enquanto obteve a primeira de suas 08 vitórias - mesmo número de poles - na temporada de 2008, mais especificamente na 1ª Corrida do Milhão, com o Astra da equipe de Andreas Mattheis. Seu melhor resultado na classificação final do campeonato foi o 5º lugar em 2008, enquanto que fora eleito o novato do ano em 2004.

O ano de 2006 trouxe a estréia de 02 Cearenses na categoria, Hybernon Cisne e Geraldo "Mano" Rola, sendo que ambos disputaram a temporada completa. Cisne não chegou a marcar pontos, enquanto Rola obteve 03 pontos na 3ª etapa, disputada em Campo Grande-MS, a bordo do Astra da equipe Hot Car, época em que somente os 15 primeiros pontuavam.

Novo piloto do Nordeste só apareceu em 2011, quando o Baiano Diego Freitas disputou a 8ª etapa, em sua terra natal, com o Peugeot da equipe Scuderia 111, tendo obtido o 19º lugar. E repetiu a dose em 2012, ao disputar a corrida de Jacarepaguá, a última da categoria no autódromo, diga-se de passagem, quando terminou na 18ª posição, com o Peugeot da Bassani Racing.

Ainda em 2012, tivemos a estréia de outro Baiano, Patrick Gonçalves, que disputou 09 provas pela equipe de Carlos Alves, ao passo que seu melhor resultado fora o 18º lugar obtido em Cascavel. Na temporada seguinte, Gonçalves ainda disputou outras 03 corridas, novamente pela equipe de Eduardo Bassani, sem bons resultados.


* Protótipo Espron, em trio com Fred Lengyvel e Ricardo Arantes - 336 voltas completadas.
** Protótipo MCR, em quadra com Fred Lengyvel, Ricardo Arantes e Marcelo Reis - 188 voltas.


Rogério dos Santos - RS Competições - 2006

Rogério dos Santos

Geraldo "Mano" Rola - Hot Car Competições - 2006

Hybernon Cisne - Equipe Powertch - 2006

Valdeno Brito - Nascar Motorsport - 2005

Valdeno - JF Racing - 2007

Equipe A. Mattheis - 2008

RCM Competições - 2009

2012

TMG Racing - 2016

Diego Freitas - Scuderia 111 - 2011

Carlos Alves Competições - 2012

sábado, 1 de julho de 2017

Porsche 911 GT2 de José Venezian


Dentre o verdadeiro esquadrão de Porsches que disputou várias edições das Mil Milhas, desde o ano de 1993, destacamos o 911 GT2 Turbo 3.6 de José Venezian, que apesar de não ter alcançado a vitória, sempre esteve entre os mais rápidos nos treinos e nas corridas.

A primeira participação ocorreu na volta da prova a Interlagos, em dezembro de 1998, ano em que Venezian formou trio com Hélio Saraiva e Sérgio Magalhães, tendo largado na 8ª posição, com o tempo de 1min48s844, ao passo que o pole registrou o tempo de 1min40s152. Na corrida, o Porsche terminou na 4ª posição, com 367 voltas completadas, quando ostentava pintura prateada e o nº 71.

Na corrida seguinte, disputada em Curitiba, a pilotagem ficou por conta de Venezian, Roberto Samed e Flávio Trindade, que venceu em 2001 e 2002, igualmente de Porsche, sendo que a posição de largada (4º lugar) fora bem melhor em comparação ao ano anterior, bem como a própria posição de chegada, visto que foram vice campeões, com 13 voltas de desvantagem para o Aldee Spyder VW vencedor da prova.

Com o hiato do ano 2000, o Porsche, agora com pintura azul e o nº 11, voltou às Mil Milhas em janeiro de 2001, quando apenas Venezian e Samed dividiram a pilotagem do bólido. No grid, a dupla conquistou a 7ª posição, com o tempo de 1min44s982, enquanto a corrida durou 227 voltas, suficientes para a 29ª posição, dentre os 60 carros que largaram.

A última participação do Porsche ocorreu em 2002, e novamente sob o comando apenas de José Venezian e Roberto Samed. No grid, a 8ª posição com o tempo de 1min45s683, ao passo que na corrida, as 317 voltas completadas foram suficientes para levar a dupla ao 10º lugar na geral.

Fora das Mil Milhas, é importante destacar a marca obtida por Venezian na prova de quilômetro lançado disputada na base aérea de São José dos Campos em 1996, quando registrou a média de 267.16 km/h, sendo a 4ª melhor daquela prova.






segunda-feira, 19 de junho de 2017

De Tomaso Pantera GTS 1974 de Júlio Penteado


Saindo um pouco da pauta sobre Mil Milhas e Arrancada, o assunto de hoje é sobre um clássico italiano cuja performance faz jus ao seu nome: Trata-se do De Tomaso Pantera GTS 7.0 1974 pertencente ao antigomobilista Júlio Penteado.

O esportivo italiano projetado pelo americano Tom Tjaarda, fora produzido entre os anos de 1971 e 1992, no total de 7.260 unidades, sendo oferecido em versões cujo propulsor Ford V8 variava entre 5.8 (351 polegadas) e 4.9 litros (302 polegadas). Algumas unidades vieram para no Brasil, sendo bastante conhecidas em provas de velocidade final e exibição de antigos, como a subida da montanha do Pico do Jaraguá.

O De Tomaso vermelho de Júlio Penteado chama atenção não só pelo visual forte e agressivo, mas também pela performance transferida para o asfalto. O propulsor é um Ford V8 427 polegadas (7.0 litros), com cerca de 460 cv e 65 kgfm de potência, dotado de bloco de alumínio e cabeçotes especiais da divisão de corridas da marca norte-americana, alimentado por um carburador de corpo quádruplo, de 1.000 cfm. Tamanha potência é controlada pelo câmbio manual de 05 marchas e tração traseira, despejada em rodas e pneus aro 17.

A fera italiana foi assídua participante das provas de velocidade final disputadas na base aérea de São José dos Campos, na década de 90 e início dos anos 2000. Sua melhor marca fora registrada no ano de 1996, quando obteve 257,14 km/h no quilômetro lançado, batendo veículos mais novos e dotados de tecnologia mais avançada. Hoje, está devidamente guardada, saindo somente para passeios em dias de sol.




Miniatura semelhante ao De Tomaso de Júlio Penteado

terça-feira, 6 de junho de 2017

Camaro SS de Adriano Kayayan


Hoje o nosso assunto é sobre arrancada, e para tanto, nada melhor que lembrarmos de uma lenda que apavorou no Campeonato Paranaense e Festival Força Livre entre os anos de 2004 e 2006. Estamos falando do Camaro SS 1968 de Adriano Kayayan, bólido que conquistou vários recordes e vitórias na categoria Hot Rod, estabelecendo verdadeiro domínio em relação aos seus concorrentes.

Após mais de 04 anos afastado das pistas, Kayayan voltou à arrancada com o seu Camaro prata na 3ª etapa do Campeonato Paranaense de 2004, já batendo o recorde da categoria com 9.819 segundos de pista e 0.383 de reação no farol. Nesta época, o bólido contava com kit nitro de cerca de 200 cv, sobrealimentando o V8 big block de 454 polegadas (7.5 litros). Com o passar do tempo, a preparação foi evoluindo, passando por uma injeção maior de nitro (350 cv), até culminar no substituição do nitro pelo blower, quando a potência chegou a cerca de 1.500 cv.

Em sua carreira nas pistas, o Camaro fora campeão do Festival Força Livre em 2004 e 2005, além do Paranaense de 2005 e 2006, sendo que no primeiro ano, das 06 provas disputadas - e vencidas -, quebrou o recorde da categoria em 05 ocasiões, ao passo que o tempo mais baixo fora de 8.390 segundos de pista e 0.202 de reação.

Porém, seus recordes não ficaram restritos aos 402 metros da reta do Autódromo de Curitiba, pois na 2ª etapa de 2006, o bólido deu as caras em Interlagos, tendo vencido na categoria Importados, com o tempo recorde de 8.490 segundos nos 201 metros. No final de 2006, o motor big block do Camaro fora transferido para a SS10 Pro-Mod adquirida do piloto Ricardo Bersani, a qual igualmente conquistou várias vitórias na pista de Curitiba, fazendo jus ao "coração" que carregava. Sem dúvida alguma, o Camaro SS prata fez história na arrancada, e está hoje entre os carros mais vitoriosos da categoria no Brasil.






segunda-feira, 22 de maio de 2017

Thomas, Kimi Raikkonen e o GP da Espanha de 2017



Após mais de uma semana do GP da Espanha de Fórmula 1, ainda me vem à lembrança a imagem do garotinho Thomas e seu sorriso "banguelo", rsrsrsrsrs. O ponto mais marcante desse episódio, a meu ver, não foi o seu choro na arquibancada, motivado pelo precoce abandono de Kimi Raikkönen, mas sim, o momento de emoção e felicidade de ter sido levado para junto do seu ídolo. Há muito tempo não víamos coisa parecida no paddock, o que somente deixa o esporte tão cinza quanto os carros da Mercedes.

É amigos, a Fórmula 1 parece ter adquirido uma nova cara, mais humana, próxima dos seus fãs, que, afinal, é quem mantém o circo em pé. E isso é muito bom para o esporte, tornando-o mais atraente e próximo do programa para todas as idades que deve ser. Vida longa ao esporte a motor!


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Maverick modificado da Automotor - 1987


O registro de hoje nos remete à XVII edição da Mil Milhas Brasileiras, disputada em 25 de janeiro de 1987, prova que fora marcada pela forte e insistente chuva que permaneceu durante quase toda a prova.

Naquele ano, fora inscrito sob o nº 11, um exemplar do Ford Maverick preparado pela equipe Automotor, chefiada pelo Sr. Luiz Francisco Batista, que disputava provas do Campeonato Paulista de Automobilismo, sobretudo a veloz Turismo 5000, que corria apenas no anel externo de Interlagos.

A preparação do "Maveco" incluía o tradicional e esmerado acerto de carburação da equipe, forte trabalho de alívio na carroceria e até mesmo o rebaixamento do teto, como forma de proporcionar ganhos aerodinâmicos e assim fazer frente aos Opalas Stock Car, sempre bem preparados e com grandes times de pilotos no comando.

A pilotagem ficou por conta da dupla Denísio Casarini/Luis "Pitoco" Rosenfeld", época em que Casarini havia dado uma pausa em sua vitoriosa carreira nas motos e vinha disputando provas na Stock Car e no Brasileiro de Marcas e Pilotos, enquanto Rosenfeld igualmente disputava o Brasileiro de Marcas, em dupla com Valdir Florenzo em um Escort. Cabe lembrar que o piloto é tio do campeão Gil de Ferran.

E o resultado foi animador, inclusive o melhor da equipe em classificações gerais nas suas participações em Mil Milhas: 5º lugar, atrás somente dos Opalas Stock que dominaram a prova nos anos 80.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Túnel do tempo: DTM Pick up e os grid lotados do início dos anos 2000


Fazendo uma verdadeira volta ao tempo, relembramos hoje uma categoria que ficou marcada pelos grandes grids e arrojadas disputas, sobretudo na pista de Interlagos. Trata-se da DTM Pick up, a qual era disputada por exemplares do pequeno utilitário da Ford, a Courier de 2ª geração, popularmente chamada de "cara de gato".

A categoria teve início no ano de 2001, mais precisamente no dia 29 de abril daquele ano, sendo as corridas televisionadas pela ESPN Brasil. A primeira pole position fora marcada por Sérgio Burger, com o tempo de 2min12s422, enquanto que a vitória ficou com Cláudio Gontijo, com a mínima vantagem de 0s211 para Sérgio Bürger, após 18 voltas de disputa. No primeiro ano, dentre os competidores estavam nomes como Belmiro Ferreira Jr., Fábio Carreira, Otávio Mesquita, Suzane Carvalho e até mesmo o piloto de motos Alexandre Barros, que disputou a 11ª e última etapa da primeira temporada, terminando na ótima 4ª posição. Ao final, o título ficou com Fábio Carreira, enquanto Sérgio Bürger fora o vice campeão.

Já no ano seguinte, o grid passou a ser dividido em duas categorias - A e B - bem como fora disputada uma prova como preliminar da Fórmula Truck quando de sua passagem por Interlagos, em setembro de 2002. Naquele ano, os títulos ficaram com Ricardo Bürger (Cat. A) e Dimas de Melo Pimenta III (Cat. B). Em 2003, as picapes passaram a disputar o campeonato como categoria preliminar da Fórmula Truck, e o grid só aumentou, chegando a 40 carros, agora divididos em 03 categorias, Super A, "A" e Novatos. Cabe destacar que a Courier fora igualmente utilizada nas Mil Milhas, neste caso nas edições de 2003 e 2005, assunto este que já foi tratado neste blog e que pode ser relembrado neste link.

Há quem diga que o fato de ter se tornado preliminar da Truck fez com que o grid fosse esvaziando aos poucos, em razão dos altos custos e retorno insuficiente. A partir de 2006, após deixar de fazer parte da programação da Truck, a até então DTM Pick up passou a ser chamada de CTC Pick up, mudança que veio acompanhada da troca do propulsor 1.6 litros utilizado, que passou a ser o VW AP 1.8 e utilização de pneus slick aro 15. Nesta fase, com corridas disputadas somente em Interlagos, participaram nomes como Celso Jordão, Aristides Dalécio, André Posses e Valéria Zopelo. A categoria durou até meados de 2007, porém alguns carros ainda foram utilizados esporadicamente em corridas regionais nos anos posteriores.

Sem dúvida alguma a categoria das pequenas pick ups foi uma página interessante de nosso automobilismo, sobretudo pelos acirrados pegas, e pela igualdade dos bólidos, onde boa parte do grid andava junta o tempo todo.

Campeões da categoria:

2001: Fábio Carreira (Categoria Única)
2002: Ricardo Bürger (Cat. A) e Dimas de Melo Pimenta III (Cat. B)
2003: Eduardo Garcia (Super A), Oscar Perrot (Cat. A) e Allan Bauer (Novatos)
2004: Eduardo Garcia (Super A), Thiago Cecco (Cat. A) e Fábio Delamuta (Novatos)
2005: Lairton Miranda (Super A) e Cássio Homem de Mello (Cat. A)
2006: Célio Deber Jr. (Super) e Chico Moreira (Light)
2007: Campeões não encontrados









quinta-feira, 20 de abril de 2017

Maverick "Tubarão Branco" de arrancada da Powertech


Faz tempo que não falamos sobre arrancada nesse blog. Então, no retorno da categoria à nossa pauta de assuntos, vamos relembrar um bólido que teve vida curta nas pistas, mas que impressionou pela sua estrutura e, sobretudo, pela força descomunal de seu motor.

Estamos falando do Maverick Pro Mod construído pela equipe Powertech de Curitiba, com larga experiência nas competições automobilísticas, inclusive na Stock Car Brasil. O bólido em questão, apelidado de "tubarão branco", fora construído em meados de 1996, e conta com chassi tubular em cromo-molibdênio e carroceria feita em fibra de vidro e de carbono, o que garante o baixo peso e resistência no caso de impactos.

Após vários anos parado, o piloto André Takeda alugou o carro e instalou nele a mecânica derivada de seu dragster, um motor Chevrolet V8 small block 6.2 litros, sobrealimentado por um blower regulado para 2.7 kg de pressão, o que resultava na potência aproximada de 1.700 cavalos, domada por um câmbio poweglide automático de 03 marchas.

A reestréia aconteceu durante o 11º Festival Força Livre de Arrancada, disputado na reta do Autódromo Internacional de Curitiba entre 25 e 28 de novembro de 2004. O Maverick chegou a andar na casa dos nove segundos, porém tal marca não refletiu o poder de fogo do carro, visto que era impossível mantê-lo em linha reta durante os 402 metros de puxada, tamanha a força do motor! No ano seguinte, André Takeda ainda registrou algumas participações no campeonato paranaense, porém os problemas com o acerto do carro fizeram com que o projeto fosse abortado.






quarta-feira, 5 de abril de 2017

Alfredo Guaraná Menezes (1952 - 2017)


Foi com pesar que no último dia 26 o automobilismo brasileiro recebeu a notícia do falecimento piloto Alfredo Guaraná Menezes Júnior, uma das figuras mais simpáticas e de grande caráter que já existiu em nosso esporte a motor. Depois de uma internação que já durava mais de 03 (três) meses, para tratar problemas decorrentes de cirrose hepática, que o colocaram na fila de espera por um transplante de fígado, Guaraná não resistiu a um infecção generalizada e ruptura de hérnia, que culminaram na falência múltipla de órgãos, levando-o a óbito por volta das 11h30min do domingo.


Sem sombra de dúvidas foi um dos maiores nome do nosso automobilismo, e sua carreira só não alçou voos ainda mais altos por simples falta de esquemas de corrida mais estruturados, que lhe dessem condições de mostrar o seu talento, o que, diga-se de passagem, ele tinha de sobra. No Brasil, fora bicampeão da Fórmula Super Vê (1978 e 1979), sendo o grande rival de Nelson Piquet antes do futuro tricampeão de Fórmula 1 partir para a Europa. Porém, sua marca mais expressiva, em caráter internacional, foi o 2º lugar na categoria e 7º na classificação geral obtidos nas 24 horas de Le Mans de 1978, a bordo de um Porsche 935/77 3.0L Turbo, formando trio com Paulo Gomes e Marinho Amaral, depois de largarem na 23ª posição.

Ainda teve fôlego para em 1981 ser campeão brasileiro da Fórmula 2, antes de disputar provas na Stock Car pela equipe montada pelo pai do piloto Hélio Castroneves, bem como da Fórmula Chevrolet, em seus primórdios, nos anos de 1994 e 1995.

Sua história nas Mil Milhas Brasileiras começou em 1973, quando obteve o 5º lugar em um VW Divisão 3, atrás somente dos grandalhões Maverick e Opala, dividindo a pilotagem com Luigi Giobbi. Porém, sua performance final merece algumas explicações. Guaraná chegou a ocupar a 2ª colocação, porém teve um para-brisa quebrado e depois a embreagem. Quando restavam 07 voltas para o final, rodou na curva da ferradura, o que fez com que perdesse a 4ª posição, terminando com 06 voltas de desvantagem para os vencedores, Bird e Nilson Clemente.

Na prova seguinte, disputada em 1981, teve seu melhor resultado, ao alcançar a 3ª posição na geral, com um Opala Stock em trio com Paulo Valiengo e Aldo Pugliese, apenas 03 voltas atrás dos vencedores, os irmãos Giaffone e Chico Serra, que igualmente correram de Opala.

As últimas participações de Guaraná nas Mil Milhas ocorreram nos anos de 2001 e 2002, sendo que no primeiro ano correu de BMW, terminando na 9ª posição geral e 1ª na classe 2, enquanto que em 2002 fora inscrito no Lister Storm de Alcides Diniz, que completou apenas 11 voltas, abandonando por conta de problemas com os pneus, bem como na BMW M3 da mesma equipe, que chegou a completar somente 48 voltas.

Suas últimas corridas foram 02 etapas (4ª e 9ª) da temporada 2006 da Stock Light, quando correu em Interlagos para conhecer melhor o carro de sua própria equipe, que na época era pilotado por Cadu Pasetti.

Que descanse em paz e siga sua nova jornada, Guaraná!









quarta-feira, 22 de março de 2017

Séries nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte X: Luciano Burti


Continuando a nossa série sobre os pilotos que fizeram ou ainda fazem parte da Stock Car, falaremos hoje de um nome que integrou o grupo de egressos da Fórmula 1 que disputou a categoria. Trata-se do piloto e comentarista Luciano Pucci Burti.

Burti nasceu na capital paulistana em 05 de março de 1975, e começou sua carreira nas pistas em 1991, aos 16 anos. Após os títulos paulista e sul-americano, mudou-se para a Inglaterra em 1996, para competir na extinta Fórmula Vauxhall, tendo sido campeão da categoria em 1997. Nas temporadas de 1998 e 1999, disputou a Fórmula 3 Britânica, tendo sido vice-campeão no último ano.

Em 2000, passou a se dedicar somente à função de piloto de testes na Fórmula 1 pela equipe Jaguar, quando fez sua estréia no GP da Áustria, em substituição o irlandês e então vice campeão do mundo, Eddie Irvine. Esta foi a sua única corrida na temporada, ao passo que se tornou piloto titular em 2001, disputando apenas 5 provas pela Jaguar, quando fora substituído por Pedro de La Rosa, o que causou a sua mudança para a Prost. E o término da sua carreira na F1, no GP da Bélgica daquele ano, após o incrível acidente sofrido na curva blanchmont - que o deixou em coma por vários dias - todos já conhecem.

Sua estréia na Stock Car ocorreu no ano de 2005, pela então campeã RC Competições, de Rosinei Campos, que renovou seu time ao contratá-lo para formar dupla com Antônio Jorge Neto. A estréia foi das melhores, pois alcançou o lugar na prova de abertura, em Interlagos. Numa época em que somente os 15 primeiros pontuavam e não existia o sistema de rodada dupla, Burti terminou o campeonato na 5ª posição, com 79 pontos marcados.

Na temporada seguinte, rumou para a extinta Action Power, de Paulo de Tarso, onde ficou até o fim de 2008, obtendo resultados mais discretos. Com a mudança do regulamento e dos carros da Stock, mudou também de equipe, passando para a também extinta Boettger, de Ereneu Boettger, onde alcançou suas 02 vitórias na categoria, obtidas em Tarumã (2009) e Campo Grande (2011).

Após a longa parceria na equipe catarinense, firmou contrato com a tradicional Vogel, de Petrópolis, sob a batuta de Mauro Vogel, pela qual disputou a temporada de 2014, sendo que os resultados mais expressivos foram dois terceiros lugares - Brasília e Salvador. Já em 2015, acertou com a RZ Motorsport de Ricardo Zonta, com resultados ainda mais discretos.

A carreira de Burti na Stock fora interrompida após as duas primeiras etapas da temporada de 2016, em razão de problemas financeiros ocorridos entre a equipe RZ e sua então principal patrocinadora, a empresa do ramo de materiais de limpeza Klar, que inclusive afastou a equipe de várias etapas da temporada passada. No retorno, a dupla de pilotos foi formada por César Ramos e Danilo Dirani.


Quadro Resumo da carreira de Burti na Stock:

- 02 vitórias (Tarumã 2009 e Campo Grande 2011)

- 03 poles (Curitiba e Santa Cruz do Sul em 2006 e Ribeirão Preto em 2011)

- 10 pódios

- 04 voltas mais rápidas

- 148 corridas

- Equipes: RC Competições, Action Power, Boettger, Vogel e RZ Motorsport.

Destaque: Nesse meio tempo, venceu os 200 km de Buenos Ayres em 2005, com Diego Aventín, em um Ford Focus da categoria TC 2000.





 


quinta-feira, 9 de março de 2017

Peugeot Hoggar de corrida

 
Pick-up's de corrida não são exatamente uma novidade no automobilismo brasileiro. Por aqui já tivemos as saudosas DTM Pick-up e Pick-up Racing, a nem tão saudosa Copa Montana, além de outras oportunidades em que utilitários foram postos na pista, como por exemplo, as Montanas Flex Power que correram na Mil Milhas de 2004, história que já foi contada aqui no blog. Além de uma Saveiro, que correu nos 1000 km de Brasília de 2003, história que também já foi contada por aqui.

Hoje o assunto é a Peugeot Hoggar 1.6 da equipe WRC/Le Lac, que disputou provas de longa duração nos Campeonatos Brasileiro e Paranaense, entre 2012 e 2014. A estreia do bólido ocorreu na 21ª edição das 500 Milhas de Londrina, disputada em dezembro de 2012, sendo conduzido pelos experientes José Córdova e José Vitte, em quarteto com Marcos Ramos e Marcelo Karan. Após largarem na 21ª posição na geral e 3º na categoria B -, terminaram a disputa na 23ª posição na geral e 2ª na categoria.

Ausente na prova de 2013, em que pese ter sido inscrita em outras provas longas, a Hoggar voltou nas 500 Milhas de 2014, quando os pilotos Cláudio Kiryla/Marcelo Karam/Gustavo Kiryla largaram em 2º lugar no grupo V e na 16ª colocação na geral, tendo ocupado a 13ª colocação, onde estavam na 5ª hora da prova. Entretanto, um problema de motor fez que com que a picape abandonasse a prova, com 215 voltas completadas e 03 paradas nos boxes. No final, o trio terminou na segunda posição no grupo V.

Para efeitos de comparação, o tempo de volta, no Autódromo Internacional de Curitiba, girou em torno de 1min58s313, enquanto que em Londrina fora registrada a marca de 1min28s610. Além dos pilotos já citados que conduziram a Hoggar, destacamos também a participação de Davi Dal Pizzol.