"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

terça-feira, 12 de setembro de 2017

TC 2000 e suas máquinas "exóticas"


Depois da Turismo Carretera (chamada pelos hermanos de "La Máxima"), a TC 2000 é a categoria mais tradicional do esporte a motor argentino, sendo disputada desde o ano de 1979, com o apoio das grandes montadoras (Fiat, Ford, Chevrolet, Honda, Toyota, Peugeot e Renault) que atuam no país vizinho. É certo que desde 2012 perdera um pouco de sua força, em razão do advento da Super TC 2000, que por sua vez atraiu os grandes nomes da categoria (Nestor Girolami, Agustín Canapino, Matías Rossi, Mariano Werner, entre outros). Porém, isto não apaga a rica história escrita por nomes como Juan María Traverso, Gabriel Ponce de Léon, Matías Rossi e José María López.

E essa rica história passa não somente pelos grande pilotos, mas também pelos bólidos utilizados na categoria durante esses quase 40 anos, muitos dos quais sequer pensamos em ver nas pistas de nosso país. Dentre eles, podemos destacar:


Alejandro Bini - 2001

Esteban Tuero - 2004

Gustavo Der Ohanessian - 2004

Sérgio Tettamanzi - 1999 (Um Tempra!)
E aqui em um Marea (1º modelo)
Miguel Angel Guerra - 1997
Oswaldo "Cocho" López - 1996

Alejandro Pagani - 1997 (Superturismo)
Ernesto Bessone - 1998

Henry Martin - 2000 (Ford Verona II, vendido na Argentina como Escort)

Ricardo Joseph - 1998

VW Pointer "Transformer" - Guillermo Maldonado - 1995
Ricardo Risatti - 1997 (Superturismo)

Guillermo Ortelli - 2004

Esteban Tuero - 2001 (O Bora da Stock Car Brasil era apenas uma bolha...)

René Zanatta - 1998 (E o Vectra também...)

Juan Pablo Satorra - 2005
Daniel Cingolani - 2001

Omar "Gurí" Martínez - 2003

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O Piloto Tom Stefani



Hoje falaremos de um piloto que figurou entre os grandes nomes do promissor automobilismo brasileiro do início dos anos 90. Trata-se de Tom Stefani, que alcançou notoriedade não só no Brasil, mas no cenário Sul-Americano, considerando suas performances destacadas na Fórmula 3, na época em que a categoria contava com grids repletos de brasileiros e argentinos, com grandes nomes entre eles.

Antônio Stefani Neto nasceu em Uberlândia, Minas gerais, em 17 de maio de 1969, em que pese ter sido radicado em Goiânia, Goiás, onde iniciou sua carreira. A estréia em monopostos ocorreu em 1989, na extinta Fórmula Ford, época em disputou provas com Marcelo Ventre, Rubens Barrichello e Edgard Pereira. Naquela temporada, venceu 06 (seis) corridas, inclusive a etapa disputada nas ruas de Vitória/ES, deixando Barrichello na 2ª posição, e sagrou-se campeão ao final da temporada, à frente do companheiro de equipe Ricardo Mattos.

No ano seguinte, fez sua estreia na Fórmula 3 Sul-Americana, tendo alcançado sua primeira vitória na categoria em Buenos Aires/ARG, de ponta a ponta, bem como os 2º lugares nas etapas de Tarumã/RS e Jacarepaguá/RJ. Ao final da temporada, terminou na 4ª posição na tabela, tendo as seguintes marcas:

01 vitória
05 pódios
02 poles
02 voltas mais rápidas

Ainda, disputou a temporada completa da categoria em 1991 (03 pódios e a 6ª posição na tabela), ano em que teve sua primeira experiência internacional, mais precisamente no GP de Mônaco de 1991, quando terminou na 12ª posição, em um grid que contava com 26 carros e nomes como Tom Kristensen, Olivier Panis e Jacques Villeneuve.

Entre os anos de 1992 e 1993, teve uma nova experiência internacional, ao disputar 07 corridas na Fórmula 3 Italiana, no primeiro ano, e a temporada completa em 1993, quando marcou seu único ponto na categoria. Nesta época, dividiu o grid com grandes nomes, dentre eles, Giancarlo Fisichella, Tony Kanaan, Max Papis e Nonô Figueiredo. Em 1994, mais uma corrida fora do Brasil, desta feita a 8ª etapa da Indy Lights, disputada em Mid-Ohio e vencida por André Ribeiro. Mas o sonho durou muito pouco, pois já na 3ª volta, bateu seu Lola Buick, tendo que abandonar a prova.

Somente voltaria à F3 Sudam em 1995, quando venceu a etapa disputada em Londrina/PR (100º GP da categoria) e terminou o campeonato na 3ª posição, a sua melhor classificação na história. Em 1996, conquistou mais uma vitória e uma pole position, assim como em 1998. Sua última participação na categoria ocorreu em 1999, quando disputou 11 das 18 corridas e alcançou um pódio. Entre os anos de 1995 e 1996, também disputou provas da Fórmula Chevrolet, tendo alcançado relativo sucesso.

Porém, suas vitórias mais destacadas ocorreram em provas de longa duração, neste caso, as Mil Milhas Brasileiras, em 1998, e os 1000 Quilômetros de Brasília em 1999, sendo que em ambas as provas utilizou o protótipo AS - Vectra, de fabricação nacional e motor GM de 2.0 litros.

A história da edição de 1998 já fora contada algumas vezes em nosso blog, sendo possível consultá-la através da lista de marcadores ao lado. Porém, é válido relembrar que Tom Stefani, Júlio Fernandes e André Grillo venceram a prova depois de largarem na sexta posição, e enfrentarem graves problemas de freio e suspensão durante a parte final da disputa, haja vista que terminaram apenas com os freios traseiros e tiveram que realizar a troca da bandeja de suspensão traseira, o que somente fora possível com a colaboração da equipe do AS - Vectra que terminou no 3º lugar (de Otávio Mesquita, Djalma Fogaça e Mário Covas Neto), ao ceder a peça.

Em 1999, voltou a disputar a prova, desta feita a bordo de um Tango Opel, em trio com Athos Diniz e Délcio Evaristo, terminando a disputa na 4ª posição, após liderar algumas voltas. Porém, antes disso, venceu os 1000 Quilômetros de Brasília, em trio com Luiz André Reis e Délcio Evaristo, com o AS - Vectra campeão das Mil Milhas, tendo ao final a vantagem de 8 voltas para o Espron BMW 2º colocado.

No ano de 2001, fez sua estréia na Stock Car, pela equipe Hot Car, em substituição ao pernambucano Adson Moura. Naquele ano, foram 04 corridas disputadas, enquanto que em 2002 disputou apenas a etapa de Londrina, onde obteve seu melhor resultado na categoria, o 10º lugar. Ausente em 2003, - ano em que disputou as etapas de Goiânia e Guaporé da Fórmula Truck com um Iveco - correu duas etapas em 2004 e mais três em 2005, sendo neste último ano pela Scuderia 111, quando decidiu se afastar de vez das pistas, sendo substituído por Ângelo Serafim.


Fórmula Ford 1989

1991

1995

F3 Sudam 1997, na equipe de Amir Nasr

1998

1000 km de Brasilia - 1999

Curitiba/2005

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Mil Milhas de 1957: O primeiro acidente


A 2ª edição das Mil Milhas Brasileiras foi durante um bom tempo a mais polêmica e tumultuada de todas. Polêmica por conta da desclassificação do carro vencedor na pista, a Carretera Chevrolet Corvette nº 82 da dupla Chico Landi/José Gimenez Lopes, que já na segunda volta da corrida apresentou problemas nas lanternas traseiras, motivo pelo qual fora advertida pela direção de prova a se dirigir aos boxes para efetuar os reparos necessários. Como a determinação não foi cumprida pela equipe, o carro veio a ser desclassificado dois dias depois do encerramento da prova.

Tumultuada por conta dos acidentes ocorridos durante a disputa, sendo que o mais grave vitimou o piloto Djalma Pessolato, que veio a falecer em decorrência dos ferimentos causados pelo choque com um cavalo entre as curvas 1 e 2 do traçado antigo, e posterior capotamento. Porém, este é um assunto para uma próxima postagem.

Mas antes mesmo do acidente de Pessolato, a Mil Milhas de 1957 já havia registrado um outro entrevero, ainda na 1ª volta, quando a Carretera Chevrolet nº 100 de José Rodrigues/Antônio Versa fora abalroada na lateral esquerda por outro competidor, provavelmente o Citröen nº 15 da dupla Fathallah Bicklang/Alberto Oliveira Pires. Apesar de os danos não terem sido de grande monta, foram suficientes para alijar precocemente o bólido da disputa. Seguem as fotos:





segunda-feira, 31 de julho de 2017

VW Gol Turbo Super de Ricardo Bersani


A antiga categoria TBS - Tração Dianteira Turbo Super - do Campeonato Paulista de Arrancada, costumava reunir grandes nomes da modalidade, com seus bólidos preparados até o limite, tanto na parte mecânica, quanto no alívio de peso da carroceria. Dentre os figurões da TBS, chamada de Força Livre Tração Dianteira em outros campeonatos, estavam os VW Gol de Ricardo Uno (Jaburão), Everson de Camargo - carro que já foi assunto de matéria deste blog -, Marcelo Olímpio de Brito, e as VW Saveiro de Alexandre Lourenço e Fabian Guerreiro. E o VW Gol azul de Ricardo Bersani, o "Pudim", carro que sempre andou entre os mais rápidos, seja em São Paulo ou Curitiba.

O bólido em questão trata-se de um VW Gol ano 1991, que teve todo o seu interior e carroceria trabalhados para garantir baixo peso e melhor desempenho. O motor original deu lugar a um AP 2.0 8 válvulas, com bloco de Golf e cabeçote da versão GTI, auxiliada por um turbina .70, trabalhando com 2,5 kg de pressão e com resfriador de ar (intercooler). A receita inicial, feita pela oficina Motor Trade, era alimentada por um módulo de injeção eletrônica, auxiliado por oito bicos injetores que levavam o metanol ao interior da usina. Na época da estréia nas pistas, no final de 2001, a potência ficava em volta de 408 cv na roda. Posteriormente, com a adoção de um novo módulo de injeção eletrônica e acerto mais refinado, a potência foi elevada para 675 cavalos no motor e 540 na roda.

Dentre as vitórias em provas de arrancada, estão a 8ª etapa de 2003 e a 1ª etapa de 2004 do Paulista, além dos pódios conquistados nos anos de 2003 a 2005, ano em que o bólido deixou de aparecer nas provas, em razão de o proprietário ter montado um dragster.




Disputa em SP com o Gol de Marcelo Olímpio de Brito



sábado, 15 de julho de 2017

Série nomes que fizeram/fazem a Stock Car - Parte XIII: Pilotos do Nordeste


Como bom Nordestino, não poderia deixar de fora dessa sequência do blog as histórias das participações de nossos pilotos na maior categoria do automobilismo. Nestes quase 40 anos da Stock, tivemos alguns exemplos de persistência, determinação e coragem dos pilotos vindo do Nordeste, região que apesar de contar com 02 autódromos, carentes de urgentes reformas, ainda depende da luta de abnegados esportistas e entusiastas para manter vivo o espírito do automobilismo.

A primeira participação de um piloto nordestino ocorreu logo na 1ª temporada, mais especificamente na 7ª etapa, disputada no Autódromo Virgílio Távora, em Eusébio (CE), quando o piloto local Luiz Alberto Pontes alugou o carro de Mauro Mota e marcou o 9º melhor tempo na classificação, fazendo frente a outros pilotos que iniciaram o campeonato inaugural, embora vários nomes fortes não viajaram para disputar aquela prova. Entretanto, Pontes não chegou a terminar a corrida.

Passados 08 anos, outro nome do Nordeste passou a figurar nos grids da Stock. Trata-se de Rogério dos Santos, o "Jegue Voador", que fez muito sucesso no Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos e na Fórmula Fiat. Naquele ano de 1987, Rogério participou de todas as etapas da temporada, exceto a prova disputada em Tarumã, sendo que o melhor resultado fora o 11º lugar obtido na 3ª etapa (Interlagos). Somente em 2000, o Jegue Voador voltou à Stock, quando disputou 02 provas, tendo obtido resultados discretos, enquanto que na temporada de 2006, disputou novamente 02 provas (as duas primeiras etapas), com a bolha do estreante VW Bora. Ao todo, foram 11 corridas na categoria.

Em 2001, o piloto pernambucano Adson Moura, irmão de Danuza Moura, disputou 05 corridas pela Equipe Hot Car, ano em que aconteceu a estréia do motor V8 na categoria. Cabe ressaltar que o piloto também participou das Mil Milhas de 2001* e 2002**, tendo alcançado a 8ª e 42ª posição na geral, respectivamente.

O nordestino de maior sucesso e que até hoje permanece na Stock estreou no ano de 2004, depois de passar por categorias como a Fórmula Chevrolet, chama-se Valdeno Brito. Paraibano, nascido em Campina Grande e radicado em João Pessoa, estreou pela equipe Nascar Motorsports, de Aloysio Andrade Filho, na última temporada em que o proprietário se dividiu entre as funções de chefe de equipe e piloto, quando seu posto fora assumido por Wagner Ebrahim. Desde então, Valdeno tem sido figura constante nos pódios da Stock, enquanto obteve a primeira de suas 08 vitórias - mesmo número de poles - na temporada de 2008, mais especificamente na 1ª Corrida do Milhão, com o Astra da equipe de Andreas Mattheis. Seu melhor resultado na classificação final do campeonato foi o 5º lugar em 2008, enquanto que fora eleito o novato do ano em 2004.

O ano de 2006 trouxe a estréia de 02 Cearenses na categoria, Hybernon Cisne e Geraldo "Mano" Rola, sendo que ambos disputaram a temporada completa. Cisne não chegou a marcar pontos, enquanto Rola obteve 03 pontos na 3ª etapa, disputada em Campo Grande-MS, a bordo do Astra da equipe Hot Car, época em que somente os 15 primeiros pontuavam.

Novo piloto do Nordeste só apareceu em 2011, quando o Baiano Diego Freitas disputou a 8ª etapa, em sua terra natal, com o Peugeot da equipe Scuderia 111, tendo obtido o 19º lugar. E repetiu a dose em 2012, ao disputar a corrida de Jacarepaguá, a última da categoria no autódromo, diga-se de passagem, quando terminou na 18ª posição, com o Peugeot da Bassani Racing.

Ainda em 2012, tivemos a estréia de outro Baiano, Patrick Gonçalves, que disputou 09 provas pela equipe de Carlos Alves, ao passo que seu melhor resultado fora o 18º lugar obtido em Cascavel. Na temporada seguinte, Gonçalves ainda disputou outras 03 corridas, novamente pela equipe de Eduardo Bassani, sem bons resultados.


* Protótipo Espron, em trio com Fred Lengyvel e Ricardo Arantes - 336 voltas completadas.
** Protótipo MCR, em quadra com Fred Lengyvel, Ricardo Arantes e Marcelo Reis - 188 voltas.


Rogério dos Santos - RS Competições - 2006

Rogério dos Santos

Geraldo "Mano" Rola - Hot Car Competições - 2006

Hybernon Cisne - Equipe Powertch - 2006

Valdeno Brito - Nascar Motorsport - 2005

Valdeno - JF Racing - 2007

Equipe A. Mattheis - 2008

RCM Competições - 2009

2012

TMG Racing - 2016

Diego Freitas - Scuderia 111 - 2011

Carlos Alves Competições - 2012

sábado, 1 de julho de 2017

Porsche 911 GT2 de José Venezian


Dentre o verdadeiro esquadrão de Porsches que disputou várias edições das Mil Milhas, desde o ano de 1993, destacamos o 911 GT2 Turbo 3.6 de José Venezian, que apesar de não ter alcançado a vitória, sempre esteve entre os mais rápidos nos treinos e nas corridas.

A primeira participação ocorreu na volta da prova a Interlagos, em dezembro de 1998, ano em que Venezian formou trio com Hélio Saraiva e Sérgio Magalhães, tendo largado na 8ª posição, com o tempo de 1min48s844, ao passo que o pole registrou o tempo de 1min40s152. Na corrida, o Porsche terminou na 4ª posição, com 367 voltas completadas, quando ostentava pintura prateada e o nº 71.

Na corrida seguinte, disputada em Curitiba, a pilotagem ficou por conta de Venezian, Roberto Samed e Flávio Trindade, que venceu em 2001 e 2002, igualmente de Porsche, sendo que a posição de largada (4º lugar) fora bem melhor em comparação ao ano anterior, bem como a própria posição de chegada, visto que foram vice campeões, com 13 voltas de desvantagem para o Aldee Spyder VW vencedor da prova.

Com o hiato do ano 2000, o Porsche, agora com pintura azul e o nº 11, voltou às Mil Milhas em janeiro de 2001, quando apenas Venezian e Samed dividiram a pilotagem do bólido. No grid, a dupla conquistou a 7ª posição, com o tempo de 1min44s982, enquanto a corrida durou 227 voltas, suficientes para a 29ª posição, dentre os 60 carros que largaram.

A última participação do Porsche ocorreu em 2002, e novamente sob o comando apenas de José Venezian e Roberto Samed. No grid, a 8ª posição com o tempo de 1min45s683, ao passo que na corrida, as 317 voltas completadas foram suficientes para levar a dupla ao 10º lugar na geral.

Fora das Mil Milhas, é importante destacar a marca obtida por Venezian na prova de quilômetro lançado disputada na base aérea de São José dos Campos em 1996, quando registrou a média de 267.16 km/h, sendo a 4ª melhor daquela prova.