"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Série nomes que fizeram/fazem a Stock car VI: Rodrigo Sperafico


Hoje falaremos sobre o piloto Rodrigo Sperafico, que fez carreira em categorias internacionais de monopostos, mas, de volta ao Brasil, estreou na Stock em 2004..

Rodrigo Sperafico: Nascido na cidade paranaense de Toledo, em 23 de julho de 1979, Rodrigo estreou na Stock em 2004, durante a 5ª etapa daquela temporada, disputada no saudoso Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá-RJ. Na ocasião, firmou parceria com a equipe Katalogo Racing, em substituição ao futuro bicampeão da categoria, Ricardo Maurício. Na temporada seguinte, Sperafico passou a correr pela WB Motorsport, de Washington Bezerra, onde teve como melhor resultado o 2º lugar obtido na etapa de Londrina.

Em 2006, mudou novamente de equipe, passando a fazer parte da JF, equipe pertencente a Jorge de Freitas. Nesse ano, repetiu por duas vezes 2º lugar no pódio, nas etapas de Curitiba e Santa Cruz do Sul. Já na temporada 2007, Sperafico muda para a Action Power, de Paulo de Tarso, utilizando a bolha do VW Bora. Essa foi sua melhor temporada na Stock, pois brigou pelo título durante boa parte da temporada, terminando no 2º lugar da tabela de classificação. Além disso, alcançou suas duas primeiras vitórias na categoria, em Curitiba - onde largou na pole e liderou de ponta a ponta - e na veloz pista de Tarumã, onde também liderou de ponta a ponta. Nas temporadas seguintes teve resultados mais discretos, e o 3º lugar em Brasília, no ano de 2008, foi o melhor resultado até 2013. Cabe ressaltar que Rodrigo disputou apenas 03 provas em 2009 e 08 provas em 2010. Em 2011 reeditou a parceria com a JF, e no ano seguinte, passou a correr pela Prati-Donaduzzi, formando dupla com seu irmão gêmeo, Ricardo.

Para a atual temporada, Rodrigo Sperafico não fechou contrato com nenhuma equipe mas, para a corrida de abertura, disputada em Interlagos, foi convidado pelo piloto estreante Felipe Fraga para dividir com ele o volante do Chevrolet Sonic preparado pela tradicional equipe Vogel Motorsport. E o resultado não poderia ter sido melhor: Após Felipe largar na 2ª colocação e ter performance de gente grande, no tempo em que esteve na pista, Sperafico assumiu o volante e passou a ocupar a ponta, posição que manteve até a bandeirada final, mostrando a experiência que possui na categoria.

Dados:

1 vice-campeonato (2007)
03 vitórias (Curitiba e Tarumã em 2007 e Interlagos em 2014)
03 poles (Curitiba, Santa Cruz do Sul e Tarumã em 2007)
05 pódios (o 1º foi conquistado em Londrina/2005)
01 volta mais rápida
105 corridas disputadas
Equipes: Katalogo Racing, JF, Action Power, Terra Avallone, RZ Motorsport, RC3 Bassani, Mico's Racing, Prati-Donaduzzi (antiga Micos's) e Vogel Motorsport.


Temporada 2004

Curitiba - 2005

2006
2007
2008

2009

2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

Vencedores das Mil Milhas - 2001


De volta a Interlagos, a Mil Milhas de 2001 teve como vencedor o Porsche 911 GT3 da equipe Stuttgart Sportscar, pilotado pelo quarteto Max Wilson/Flávio Trindade/André Lara Resende/Régis Schuch. Mas quem pensar que essa foi uma vitória fácil, dado o histórico do modelo na prova, está enganado. No final da tarde daquele 28 de janeiro de 2001, um temporal desabou por 2 horas e meia sobre a região de Interlagos, causando inundações nas instalações de boxes e cronometragem, além de "lavar" de lama e brita diversos pontos da pista (S do Senna, Junção, entre outros). Ainda, faltou luz no autódromo e o treino de aquecimento foi realizado com 2 horas e meia de atraso.

A largada, marcada para a meia noite, acabou sendo dada às 03h05min do domingo, após muito trabalho para limpar a pista (principalmente na curva Chico Landi) e organizar a casa. O pole, O Porsche nº 21 da equipe Stuttgart, adotou como estratégia não forçar o ritmo nas voltas iniciais, mesmo que isso implicasse na perda de posições. Isto porque a pista ainda estava suja e úmida, o que favorecia rodadas e batidas, que poderiam resultar em acidentes sérios. Mas com o passar do tempo a pista foi melhorando, e com mais aderência, o Porsche mostrou seu poder de fogo e conquistou a liderança, contando também com a quebra de vários concorrentes direitos (Piquet, Kanaan, Vitor Meira).

Quando os relógios marcavam 15 horas e 05 minutos do domingo, o Porsche cruzou a linha de chegada após completar 375 voltas, com 12 de vantagem para o então campeão Jair Bana, que correu em um Protótipo Aldee em dupla com Tino Vianna.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Coleção miniaturas 1:64 - VW Caravelle


Mais uma miniatura VW para a coleção, na escala 1:64: desta vez, trata-se de uma rara VW Caravelle, uma van de grande porte que a montadora alemã importou para o Brasil no final dos anos 90. Essa não dá nem vontade de tirar da embalagem!


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Chevrolet 1931 V6 de arrancada de Arthur Nutti Jr.


A postagem de hoje vai tratar de um carro um carro que possui idade e história nas mesmas proporções. Trata-se do Chevrolet 1931 do advogado paulista Arthur Nutti Jr., que durante muito tempo participou das provas de arrancada disputadas no Autódromo de Interlagos, até meados de 2007. Na edição de julho de 1969, a revista Autoesporte fez uma matéria com este carro, que na época já disputava provas em Interlagos e desenvolvia cerca de 150 km/h, devido às várias modificações mecânicas que incluíam novo motor de caminhão Chevrolet 1951, com cerca de 140 cv.

Trinta anos depois (Ed.425), a revista automotiva supracitada voltou ao Autódromo de Interlagos para fazer uma matéria sobre as provas de arrancada, que estavam em franca ascensão na época, vivendo seu auge por volta de 2003 e 2004. E lá estava o Chevrolet 1931 novamente, disputando as puxadas com veículos bem mais novos! Para facilitar o entendimento da história desse carro, vamos organizá-la em tópicos:

1932: O carro é trazido para o Brasil e o Exercito de São Paulo requisitou-o ao seu então dono para que fosse utilizado durante a Revolução Constitucionalista, que estava ocorrendo. Quando o veículo foi devolvido, logicamente estava em frangalhos. Ao dono não restou outra alternativa, senão guardá-lo por um longo tempo no galpão de um sítio.

1964: Ocorrem as primeiras provas de arrancada em Interlagos, chamadas na época de rachas - termo este que acompanhou a categoria por muitos anos e só atrasou seu desenvolvimento - e o atual proprietário, Sr. Arthur Nutti Jr. adquire o Chevrolet de um outro participante. Na ocasião, o Chevy era o retrato de uma batalha: a lataria tinha vários furos de bala e a capota simplesmente não existia.

1969: Na época da reportagem da Autoesporte, o carro era utilizado no dia-dia pelo proprietário, juntamente com a função de levar noivas para a igreja e até mesmo participou de um comercial da Chrysler, fazendo o papel de carro de fuga da dupla Bonnie & Clyde.

Década de 90: O Chevrolet 1931 passa a disputar as provas em Interlagos movido pelo propulsor 4.1 seis cilindros do Opala, que gerava cerca de 180 cavalos. Nessa época o carro ainda era utilizado no trânsito, quando o carro de uso diário do proprietário ficava na garagem, por conta do rodízio.

2004: Melhor tempo registrado nos 330 metros da reta de Interlagos: 12s758 - 3ª Etapa (15/01/2004)

2005: Melhor tempo registrado nos 201 metros em Interlagos: 9s200 - 4ª Etapa.

2007: Com o fim do Campeonato Paulista de Arrancada (a troca do asfalto de Interlagos forçou o término das provas de arrancada), o Chevy não apareceu mais em provas da modalidade.





sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Série nomes que fizeram/fazem a Stock Car Brasil - Parte V: Chico Serra e Paulo de Tarso Marques


Hoje, trago mais dois nomes de grande importância para a Stock Car: Paulo de Tarso Marques e Chico Serra.

Chico Serra: Francisco Adolpho Serra, ou simplesmente Chico Serra, nasceu em 03 de fevereiro de 1957 na cidade de São Paulo. O primeiro contato de Chico com a Stock se deu na última etapa do campeonato de 1980, quando disputou a prova para conhecer o Opala Stock Car que utilizaria na Mil Milhas de 1981, prova esta que venceria formando trio com Zeca Giaffone e Afonso Giaffone Jr. Na primeira experiência com o carro, ele acabou se envolvendo em um acidente e não terminou a prova. Porém, Chico só passaria a correr regularmente na temporada de 1986, e a primeira vitória só viria em 1988, na 7ª etapa, disputada em Interlagos. Ao fim da temporada de 1990, ele deu uma pausa na Stock, e só voltaria a disputá-la em 1993, o último ano do Opala na categoria.

Chico só voltou a ganhar uma prova na Stock em 1998, mas a partir daí sua carreira deu uma guinada: Em 1999, último ano em que o Chevrolet Omega foi utilizado, ele conquistou o campeonato após 07 vitórias. No ano seguinte, a categoria passou a utilizar o chassi tubular coberto com a carenagem inspirada do Chevrolet Vectra, utilizando ainda a mecânica Chevrolet 6 cilindros. E Chico levou o campeonato mais uma vez (com 06 vitórias). Mesmo com a mudança da mecânica Chevrolet em 2001, que deu lugar ao V8 americano utilizado na categoria de acesso da Nascar (atual Nationwide Series), ele continuou ganhando, e conquistou seu tricampeonato com 04 vitórias. Vale ressaltar que todos os títulos foram conquistados em parceria com a Equipe WB Motorsport, de Washington Bezerra.

Em 2002, Chico Serra ainda seria vice-campeão, perdendo o título na última etapa para Ingo Hoffmann. A partir daí, sua performance não foi mais a mesma, vencendo apenas duas corridas (a última da temporada 2003, em Interlagos e oitava etapa de 2006, em Brasília) até sua aposentadoria, em 2007. O ano de 2008 foi marcado por sua experiência com a Fórmula Truck, mas em 2009 ele estava de volta a Stock, onde se aposentou definitivamente ao final daquela temporada.

Resumo da carreira de Chico Serra na Stock Car Brasil:

Títulos: 03 (1999, 2000 e 2001)
Vice-campeonatos: 04 (1988 - 1990 e 2002)
Vitórias: 32
Poles: 23
Pódios: 71
Corridas disputadas: 232
Temporadas: 1986 - 1990; 1993 - 2007 e 2009.

Algumas equipes em que correu: WB Motorsport, Full Time, RC3 Bassani e Avallone Motorsport.

Protótipo Opala utilizado na Temporada de 1990

http://image3.redbull.com/rbcom/010/2014-07-29/1331666983056_2/0010/1/1500/1000/2/chico-serra-(1999).jpg
1999

2000

2001

2007

2009


Paulo de Tarso Marques: Nascido em 1953 na capital paranaense, Paulo de Tarso estreou na Stock Car em 1986, após ter obtido bons resultados no Brasileiro de Marcas e Pilotos. Entre 1988 e 1993, ele se dividiu entre as funções de piloto e preparador de equipe, neste caso, a Action Power. Em sua carreira na Stock, venceu em uma ocasião (a última etapa de 1992, disputada em Interlagos) e foi ao pódio por oito vezes. A última temporada completa disputada foi a de 1993, enquanto que de 1994 a 1998, disputou apenas corridas esporádicas. Após encerrar a carreira como piloto na Stock, Tarso se dedicou somente à sua equipe, cuja trajetória na categoria foi vitoriosa:

1995: Vice - campeã de pilotos com Xandy Negrão.
1996 - 1998: Campeã de pilotos com Ingo Hoffmann (e vice com Xandy Negrão).
2001: Campeã de pilotos com Tiago Marques, na categoria Light. O título veio após 03 vitórias.
2004: Vice-campeã entre as equipes, com Cacá Bueno (vice campeão entre os pilotos, com 03 vitórias) e Tiago Marques.
2005: Campeã entre as equipes da Stock, com os pilotos Cacá Bueno (vice campeão entre os pilotos, com 04 vitórias) e Tiago Marques.
2007: Vice-campeã de pilotos com Rodrigo Sperafico (02 vitórias).

* Em 1999 e 2000 a equipe não participou da Stock.

Infelizmente a Action Power teve que encerrar suas atividades em 2009, após o incêndio na carreta que transportava todo o equipamento da equipe, que havia vencido a etapa de Interlagos horas antes. No incêndio, foram perdidos três carros, inúmeras peças e equipamentos utilizados nas corridas. O piloto Marcos Gomes, que havia vencido a última corrida realizada, e que estava classificado para o play-off do campeonato, continuou a temporada correndo pela equipe RCM, de Rosinei Campos.

Resumo da carreira de Paulo de Tarso Marques na Stock Car Brasil:

Vitórias: 01 (Interlagos - 1992)
Poles: 03 (Curitiba - 1991, Interlagos - 1992 e Guaporé - 1992)
Pódios: 08
Melhor colocação no campeonato: Vice-campeão em 1992.
Temporadas: 1986 - 1993
Corridas disputadas: 66


Temporada 1992

Temporada 1991 - Note que o piloto está posicionado no centro do carro

A carreta destruída depois do incêndio e o carro de Marcos Gomes durante a etapa de Interlagos







terça-feira, 4 de novembro de 2014

O trágico acidente de Zeko Gregoricinc em 1985.


O post de hoje vai relembrar uma história cujo final foi trágico, e que não teve o registro merecido por parte da imprensa. Trata-se do acidente fatal que envolveu o piloto da Stock Car Zelimir Gregoricinc, o Zeko. O objetivo é trazer aos leitores a narrativa dos fatos ocorridos naquele distante ano de 1985, a título de registro, e não para expor o sofrimento alheio, até porque o sensacionalismo não é o objetivo desse espaço.

Era o dia 18 de agosto de 1985, ocasião em que era disputada no Autódromo de Interlagos a 5ª etapa do Campeonato Brasileiro da Stock Car. Zelimir Gregoricinc tinha 42 anos e estreou na Stock em 1983, após disputar a antiga Divisão 3 por cerca de 03 anos. Não figurava entre os mais rápidos do grid, e na corrida em que sofreu o fatídico acidente, largou na 18ª posição. Após queimar a largada, Zeko fez uma série de ultrapassagens, chegando a ocupar a 10ª posição na curva 2. Porém, no final do antigo retão, ele acabou perdendo o controle do seu Opala, aparentemente por problemas nos freios e terminou atingindo de frente o muro da curva 3. No choque, o tanque de combustível - que estava com 130 litros de álcool, já que era a 1ª volta da prova - rachou ao meio pois, segundo relatos da época, era feito de PVC. Encharcado de gasolina, o macacão do piloto - confeccionado em brim - ficou em chamas, e só lhe restou rolar pela grama na tentativa de apagar o fogo. O socorro foi muito prejudicado, pois o bombeiro demorou cerca de 15 segundos para conseguir destravar o gatilho defeituoso do extintor de incêndio, e Zeko foi finalmente socorrido pela equipe médica, com queimaduras de 3º grau nas costas e nas pernas.

Levado inicialmente para a UTI do Hospital Zona Sul, passou depois pelo Hospital Municipal do Tatuapé, e posteriormente foi transferido para o Hospital Samaritano. Ao todo, o piloto passou 12 dias internado, até falecer em virtude das queimaduras. Durante o tempo de internação, Tommy, seu irmão gêmeo, que também era piloto de Stock Car, se dispôs a doar parte de sua pele, na tentativa de salvá-lo.

Zeko também pilotava aviões e já havia sofrido 04 acidentes. Inclusive, seu irmão mais velho, Rasputin, morreu em um acidente aéreo, após a explosão do avião que dirigia.

Muito se falou das condições do carro do piloto, que mesmo assim, passou pela vistoria técnica da organização. Na época não eram exigidos tantos itens de segurança, como macacão anti-chamas e revestimento externo de borracha do tanque. Após o acidente, vários itens de segurança dos carros tiveram que ser revistos, pois a imagem do acidente ficou gravada na memória dos pilotos por muito tempo. Na ocasião, Zeko dividiu os boxes com o campeoníssimo Ingo Hoffmann, que foi um dos pilotos que mais chamaram a atenção para a questão da segurança.

Enfim, esse post teve como finalidade registrar uma página triste da história do nosso automobilismo, mostrando o quanto a organização das competições teve que evoluir diante das adversidades, apesar de ainda acontecerem acidentes por conta de atitudes amadoras da organização das categorias e autódromos. E que nem tudo eram flores no passado do esporte a motor, apesar do saudosismo que nos move.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As Mil Milhas Brasileiras de 1997



Com o fiasco da prova de 1996, que foi realizada no mês de abril, logo após o GP de F1, a organização da Mil Milhas buscou dar um novo gás à prova. Tendo em vista que a data tradicional da prova (mês de janeiro) não estava mais sendo liberada – em virtude das obras necessárias para a etapa da F1 – a alternativa foi levar a prova para outra praça, neste caso, o Autódromo Internacional Nelson Piquet, na Capital Federal.

A prova foi realizada no dia 19 de janeiro, e teve um grid fraco para os padrões históricos – apenas 25 carros participaram. Em suma, o grid foi formado por competidores tradicionais, como Opalas, Omegas, Corsas e protótipos variados (Aldee RTT, AS-Vectra e Espron). Mas, evidentemente, os bólidos mais fortes eram o Porsche 911 GT2 da equipe Stuttgart e o McLaren F1 BMW de Nelson Piquet (Team Bigazzi).

A pilotagem do modelo alemão – impulsionado por motor 3.6 Boxer seis cilindros biturbo de 480 cavalos – ficou por conta do trio André Lara Resende (vencedor em 1996 e 2001), Maurizio Sala (vencedor em 1984) e Régis Schuch (vencedor em 2001 e 2002). Quanto ao McLaren, que foi pilotado pelo trio Piquet, Jhonny Cecotto (VEN) e Steve Soper (ING), basta lembrar que era o carro mais rápido (até 2005) e mais caro do mundo na época, com motor BMW V12 de 670 cavalos, câmbio de 6 marchas e aerodinâmica e estabilidade suficientes para torná-lo um foguete tanto nas retas quanto nas curvas.

Não foi surpresa quando o trio Nelson/Cecotto/Soper conquistou a posição de honra no grid de largada (pelas mãos de Nelson Piquet). A prova foi um verdadeiro passeio para Piquet & Cia, que não tiveram problemas nas mais de 10 horas de corrida (a largada foi dada às 09:30 da manhã), vencendo-a com a impressionante vantagem de 21 voltas para o Porsche, registrando também a melhor média de velocidade da prova até então (159,587 km/h).


Os 10 melhores colocados:

1º McLaren GTR BMW N° 1 Nelson Piquet, Jhonny Cecotto e Steve Soper DF/VEN/ING – 294 voltas
2º Porsche 911 André Lara Resende, Régis Schuch e Maurizio Sala – 273 voltas
3º AS Vectra Athos Diniz, Vitor Meira e Alex Bachega – 260 voltas
4o Aldee RTT Laércio Justino, Ananias Justino e Maurício Veiga GO – 254 voltas
5o Aldee RTT Ricardo Heráclio e Amadeu Barbosa DF – 252 voltas
6o VW Voyage/Japamóvel João Noboru Mitta, Beto Borghesi e José Ricardo PR – 250 voltas
7o Aldee RTT Frederico Fungaro Júnior e Gilberto Gaspar DF – 247 voltas
8o Aldee RTT Nº 9 Suzane Carvalho e Delfina Frers (BRA-RJ e ARG) – 247 voltas
9o Protótipo Berga/VW José Parra e Márcio Sciola SP – 238 voltas
10o Aldee RTT Juscelino Sarkis, Lairton Miranda e Rossini Silva PR – 237 voltas

Outros carros:


15º BMW 320i nº 5 Luiz Caland e Luiz Felipe Calmon
19º - Espron BMW nº 19 Ruyter Pacheco, Leo Faleiro e Sandro Ferrari
21º - BMW 320i nº4 Renato Constantino e Gustavo Mendes
Corvette ZR1 6.0 – Dimas de Melo Pimenta Filho, Rodrigo Pimenta e Dimas de Melo Pimenta III – 27 voltas (quebra da transmissão).



O pelotão formado por Aldee RTT, Opala, Omega e Corsa


Porsche da Equipe Stuttgart - Foto do arquivo de Ivo Snelwar

Detalhe do McLaren F1 BMW de Piquet & Cia.

Aldee da dupla feminina Suzane Carvalho e Delfina Frers


sábado, 11 de outubro de 2014

Miniaturas p/ a coleção VW 1:64: Passat Variant e Tiguan


Já faz um certo tempo que não posto nenhuma miniatura da coleção de Volkswagen's que estou formando faz uns 02 anos. Então, hoje posto aqui mais duas minis que chegaram recentemente, um Passat Variant e um Tiguan, da marca alemã Siku. Ambos abrem as portas e foram fabricados na escala 1:55, o que de fato os tornam maiores que os demais, porém, não é algo tão destoante. Vamos às fotos:






quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Nomes que fizeram/fazem a Stock Car Brasil - Parte IV: Raul Boesel e Antônio Jorge Neto


Hoje temos mais dois nomes para integrar a série sobre pilotos que fizeram e ainda fazem (não só como piloto, mas como dono de equipe, consultor e outras funções) parte da Stock Car. São eles Raul Boesel e Antônio Jorge Neto.

Raul Boesel: Raul de Mesquita Boesel, curitibano nascido no dia 04 de dezembro de 1957, foi um dos grandes pilotos brasileiros na década de 80, sobretudo, tendo como maior conquista o título do Campeonato Mundial de Sport-Protótipos de 1987. Digo que foi um grande piloto porque desde a vitória na Mil Milhas de 2008, ele está aposentado, pilotando apenas as suas pick-ups como DJ. Boesel começou no Kart, tendo conquistado o título de Campeão Paranaense antes de estrear nas categorias de turismo. Em 1979, fez parte do time de pilotos que disputou a temporada de estreia da Stock Car Brasil, conquistando 03 vitórias - Tarumã, Goiânia e Cascavel -, suas únicas na categoria. Conquistou também 01 pole position naquele ano e foi eleito o piloto revelação, com a 4ª colocação na classificação final.  Nesta temporada, seu carro foi preparado pelo Rosinei Campos, o Meinha, ainda no início de sua brilhante carreira.

No ano seguinte, se mudou para a Inglaterra para disputar a Fórmula Ford, e em 1981 a Fórmula 3. Posteriormente, disputou provas na F1 pelas equipes March e Ligier, assim como fez carreira nos monopostos norte-americanos, com 13 participações nas 500 Milhas de Indianápolis - o melhor resultado foi o 3º lugar em 1989 - e várias temporadas na Fórmula Indy/Cart.

De volta ao Brasil em 2001, Boesel voltou a disputar a Stock Car, que naquele ano passava a correr com motores V8. No ano de estreia, os melhores resultados foram um 2º lugar em Jacarepaguá/RJ e um 3º em Interlagos/SP. Em 2002, Boesel disputou apenas 04 corridas pela categoria, pois teve que conciliar suas participações na V8 com a retomada da carreira nos EUA. Marcou 07 pontos.

Em 2003, Boesel passou a correr com a equipe Boettger Competições, e teve David Muffato como companheiro de equipe, que ao final da temporada se sagraria campeão. Neste ano, Boesel subiu ao pódio 02 vezes, com o 2º lugar em Campo Grande e o 3º lugar em Curitiba e conquistou 02 poles - Campo Grande e Curitiba -. No ano seguinte, foi 2º lugar por duas vezes -Tarumã e Londrina -, conquistou 01 pole - em Interlagos -  e acabou terminando o campeonato na 6ª posição, à frente do então campeão, Muffato.

Com a saída da Repsol, principal patrocinadora da equipe Boettger, Boesel ficou sem carro, e acabou acertando com a equipe Rio Racing para 2005. Mas a temporada não foi das melhores, e ele terminou o campeonato na 27ª posição, com 19 pontos marcados.

O ano de 2006 marcou a despedida de Raul Boesel da Stock Car, a qual disputou pela equipe WB Motorsport. A temporada foi um desastre, pois não chegou a marcar um só ponto.

Estatísticas:

Vitórias: 03 (Tarumã, Goiânia e Cascavel em 1979)
Poles: 04
Pódios: 09
Melhores voltas: 02
Corridas Disputadas: 68
Temporadas: 1979; 2001 - 2006.
Equipes em que correu: Sprint Racing. Boettger Competições, Rio Racing e WB Motorsport. 

1979


2001


2002

2003

2005


Antônio Jorge Neto: Multicampeão no motociclismo, Antônio Jorge Neto nasceu na cidade paulista de Serra Negra, em 05 de agosto de 1963. Com ótima experiência nos carros de turismo - foi 4 vezes vice-campeão na Copa Fiat, categoria A - nos anos 90, Netinho estreou na Stock Car em 2000. Na temporada seguinte foi um dos destaques, pois terminou o campeonato na 5ª posição, à frente de pilotos como Paulo Gomes, Carlos Alves e Adalberto Jardim.

Em 2002 não teve um bom ano, mas foi destaque na 6ª etapa do campeonato, disputada em Interlagos. Na ocasião, substituiu Xandy Negrão - que não pôde participar da prova em virtude de compromissos profissionais - e teve uma grande performance, ao sair da 27ª e última posição e chegar em 4º. Na ocasião, correu pela equipe Medley-Mattheis, pela qual correria nos próximos dois anos.

Já vestindo as cores da Medley-Mattheis, Neto venceu sua primeira prova na categoria, em Brasília. Ao final do campeonato, repetiu a 5ª colocação de dois anos antes. Em 2004, seu último ano pela equipe de Andreas Mattheis, ele venceu uma das etapas de Curitiba e foi pole em 02 ocasiões - Interlagos e Jacarepaguá -, terminando a temporada na 3ª colocação. Ao fim do ano, trocou de lugar com o então campeão Giuliano Losacco, passando a correr na RC Competições, de Rosinei Campos.

2005 foi um ano marcado pela regularidade, pois mesmo sem vencer nenhuma corrida, terminou a temporada na 4ª colocação. No ano seguinte, teve como companheiro Cacá Bueno e conquistou o vice, seu melhor resultado em campeonatos na categoria. 2007 e 2008 foram anos de altos e baixos, e Neto ficou longe das primeiras posições da tabela. O destaque foi a vitória na 4ª etapa de 2007, em Interlagos.

Com a mudança do equipamento na temporada de 2009, Neto passou a correr pela RC3 Bassani. Terminou o campeonato no meio da tabela, e o único destaque daquele ano foi o 2º lugar conquistado na 3ª etapa, em Brasília.

2010 foi a última temporada em que Antônio Jorge Neto disputou todas as corridas do calendário da Stock. Correndo pela equipe RZ Corinthians, ele teve desempenho modesto, marcando somente 12 pontos. Ao fim da temporada, fez sua despedida da categoria.

Entretanto, ainda fez duas aparições esporádicas na Stock: Em 2011, quando disputou a etapa de Ribeirão Preto pela AMG Motorsport e em 2014, quando formou dupla com Lucas Foresti na Bassani Racing, na etapa de abertura da atual temporada.

Estatísticas:

01 Vice-campeonato (2006)
Vitórias: 04 (Brasília - 2003, Curitiba 2004 e 2006, Interlagos - 2007)
Poles: 04 (Interlagos - 2003/2004/2007 e Jacarepaguá - 2004)
Pódios: 18
Voltas mais rápidas: 07
Corridas disputadas: 123
Algumas equipes em que correu: Medley-Mattheis, RC Competições, RC3 Bassani, RZ Corinthians e AMG Motorsport.

2002 - Em Londrina, após o incêndio causado pela quebra do diferencial, nos treinos

A 1ª Vitória: Brasília, 2003

2004 - última temporada pela Medley-Mattheis

Jacarepaguá - 2007

2010 - Em Interlagos, com o escudo do maior time do mundo estampado no carro

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Porsche 914 biturbo em 2004




Em 2004, a cidade de São Paulo comemorava os 450 anos de sua fundação. E como parte tradicional do aniversário da cidade, claro, corrida de alto nível e com muita história: Mil Milhas Brasileiras. Aquela era a 32ª edição, durante a última grande fase da corrida, considerada por muitos, a melhor de toda a história.

Sobre essa edição, o post de hoje falará mais especificamente de um bólido que disputou a Mil Milhas daquele ano. Trata-se do Porsche 914 do quarteto paulistano formado pelos pilotos Hélio “Pingo” Saraiva, José Venezian, Herbert Gauss, e Rodrigo Hanashiro. O carro em questão é um Porsche 914, que originalmente vem com motor Volkswagen, e que neste exemplar em questão, teve seu powertrain (conjunto motor/câmbio) trocado por um derivado do Porsche 911 GT2, um 6 cilindros biturbo auxiliado por um intercooler. A escolha recaiu sobre o 914 porque este possibilitava a montagem do motor na posição central do chassis, favorecendo a distribuição de peso, e consequentemente, melhorando o desempenho na pista. A potência ficava acima dos 500 cavalos e 75 kgfm de torque, domados por um câmbio sequencial de 5 marchas. Rodas (aro 18), suspensão e freios (discos ventilados nas 4 rodas) eram os mesmos utilizados na Stock Car V8 (que naquele ano passaria a usar a carenagem do Astra sob o chassis tubular). E para acompanhar a desempenho mecânico, visual de corrida (spoiler, saias laterais, aerofólio, etc.) aliado a funcionalidade, que incluía também faróis do Porsche 911 GT2.

Na disputa, o 914 largou na 33ª posição, tendo marcado nos treinos o tempo de 1min49s811. Com o “bicho pegando” na pista, o bólido completou 141 voltas, pois sofreu um acidente, ficando na 48ª posição. Esse carro inclusive foi matéria no programa Auto Esporte, quando este tinha atenção com o automobilismo.




domingo, 14 de setembro de 2014

Crítica: Alceu Feldmann e o tanque de combustível na Stock Car

Dizer que o automobilismo é um esporte que oferece riscos, é ser redundante. Porém, há uma diferença quando a conduta dos participantes beira a irresponsabilidade, ao ponto de causar riscos extras. Esta foi a impressão deixada pela atitude do piloto Alceu Feldmann durante a 1ª corrida de hoje da Stock Car, disputada no circuito gaúcho Velopark.

Após sair dos boxes com o tanque de combustível preso ao bocal de abastecimento do seu carro, Feldamnn tentou de várias formas se livrar do tanque, seja balançando o carro no meio da pista, ou pior ainda, buscando tocar a mureta dos boxes, ou seja, em plena reta, esquecendo da presença de uma grande quantidade de pessoas naquela região. Mas se o tanque se solta e atinge alguém, quais consequências isso poderia trazer? Ou mesmo que não atingisse alguém, seria justo jogá-lo no meio da reta?

Lamento muito que situações como ainda ocorram, principalmente vinda de um piloto experiente, que há tantos anos disputa a categoria, considerada uma das maiores do mundo. Ao mesmo tempo, lembro que há 10 anos atrás, na 7ª etapa da temporada 2004, disputada no autódromo de Curitiba, Feldmann cometeu vários erros que poderiam ter resultado em graves consequências. Primeiro, se envolveu em um toque com Raul Boesel, que culminou com a batida de frente do piloto ex-F1 no muro do final da reta dos boxes, a cerca de 240 km/h. Com o carro bem avariado, Feldmann continuou na pista com a dirigibilidade afetada, e numa disputa em plena reta com Thiago Camilo, se tocou com o adversário no fim da reta dos boxes, chegando ao ponto de seu carro subir e ficar preso ao de Camilo, causando um dos acidentes mais impressionantes da história da categoria. Por fim, Feldmann ainda se envolveu em uma confusão nos boxes, que resultou até em agressões físicas.

Enfim, não é o primeiro incidente em que o piloto catarinense se envolve que poderia ter sido evitado, e que igualmente poderia ter tido consequências graves. Todo o esforço para coibir esse tipo de conduta perigosa deve ser empregado, pois não se pode correr mais riscos além dos que são inerentes a este tão amado esporte. Porque piloto nenhum tem o direito de colocar em risco a vida dos outros pilotos e das pessoas que fazem parte do espetáculo das corridas.