"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

terça-feira, 24 de julho de 2012

A inversão e os rumos do Automobilismo Brasileiro

Não sou jornalista esportivo, tão pouco exerço alguma função no meio automobilístico (infelizmente!). Sou apenas um entusiasta desse maravilhoso esporte, que acompanho desde os 7 anos de idade. Por acompanhar há um bom tempo várias categorias, sejam elas de monoposto, turismo, trucks ou arrancada, me proponho a falar sobre algumas impressões que tive durante esse tempo.

Hoje o automobilismo brasileiro vive uma crise em termos de formação de novos pilotos. O país, tido antes como um celeiro de pilotos de competição, hoje corre o risco de não ter nenhum brasileiro disputando a categoria máxima do automobilismo num futuro próximo. Isso ocorre muito em função do kartismo passar por uma fase deficiente, onde os custos altíssimos acabam afastando muito talentos latentes e outros que acabam por abandonar a carreira após alguns anos. Além dos custos, a desorganização e inércia das federações de automobilismo, além da entidade maior (CBA), são fatais para o desenvolvimento do automobilismo de base no país, que foi o responsável por hoje termos 8 títulos na F1, 5 títulos na Indy (4 títulos na categoria de acesso) e 6 vitórias na maior corrida do automobilismo americano (500 milhas de Indianápolis).

Mas parando para pensar, a gente vê que muitas coisas que dão certo por muito tempo, acabam sofrendo mudanças em um determinado momento da vida, ou até mesmo sofrem o fim. Nada funciona da mesma forma o tempo todo. E o automobilismo não foge à essa regra. No ano de 1970, pudemos ter a honra de ver o primeiro piloto brasileiro a vencer uma corrida na Fórmula 1: Emerson Fittipaldi. Até então, o Brasil já tivera quatro representantes (Chico Landi, Gino Bianco, Hermando da Silva Ramos e Fritz d'Orey) na Fórmula 1, porém nenhum deles tinha vencido alguma corrida ou disputado um campeonato regularmente. Com a contratação de Fittipaldi pela lendária equipe Lotus, do mago da engenharia automotiva Colin Chapman, o Brasil viu sua bandeira figurando entre outras tradicionais no maior campeonato do automobilismo mundial. E com a primeira vitória de Fittipaldi, em 1970, no circuito Norte-Americano de Watkins Glen, foi iniciada uma forte tendência pela formação de pilotos de fórmula no país, tendência essa que dura até os dias de hoje, porém com menor força se comparada à outros tempos. Os títulos de 1972 e 1974 de Emerson, só vieram a fortalecer o desejo de tornar o Brasil um país formador de campeões de Fórmula 1. Emerson Fittipaldi abriu os caminhos da Europa para os brasileiros, que posteriormente ainda conquistariam mais 6 títulos e vários recordes, alguns vigentes até hoje, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. 

Após o fim do projeto Copersucar, a equipe brasileira de F1 chefiada pelos irmãos Fittipaldi, Emerson continuou fazendo história, ao abrir o caminho do automobilismo norte-americano, tão desconhecido no Brasil até então, onde foi bicampeão das 500 milhas de Indianápolis e campeão da Fórmula Indy, e abriu caminho para as conquistas de Gil de Ferran, Helio Castroneves, Cristiano da Matta e Tony Kanaan.

Mas voltando aos dias atuais, o que presenciamos é a substituição do automobilismo de monoposto pelas corridas de turismo e campeonatos de stock cars. Por conta da crise das categorias de monoposto, muitos pilotos que fizeram carreira nas diversas F3, na Fórmula Indy, Fórmula 1, na antiga Fórmula 3000 (hoje GP2), entre outras, estão procurando cada vez mais campeonatos como a Stock Car V8, GT Brasil, Brasileiro de Marcas, entre outros, até mesmo a tão distante Nascar, onde em junho deste ano, Nelson Angelo Piquet, conquistou a pole position e a vitória na etapa extra-campeonato da Nationwide (categoria de acesso da Sprint Cup), disputada no tradicional circuito de Elkhart Lake, EUA. Essas foram a primeira vitória e pole position de um piloto Brasileiro em uma categoria principal Nascar, sem contar com o título da temporada 2011 conquistado por Pietro Fittipaldi, de apenas 15 anos, (neto de Emerson) na categoria Limited Late Model, uma espécie de divisão da Nascar que corre apenas no estado da Carolina do Norte.

Dessa forma, vejo que na realidade ocorre somente uma benéfica mudança de rumo no automobilismo Brasileiro. O país, que aprendeu a gostar do automobilismo com as corridas de monospostos, hoje tem o o cenário mais favorável para a conquista de novos espaços em campeonatos de turismo. Atualmente, temos dois Brasileiros com chances reais de vitória na Truck Series e em médio prazo na Nationwide (Nelsinho Piquet e Miguel Paludo), outro brasileiro disputando o grande Campeonato Alemão de Turismo numa equipe de ponta (Augusto Farfus) e tantos outros espalhados por outras categorias e até mesmo em provas de longa duração. Porque não pensar em termos pilotos brasileiros conquistando campeonatos na Nascar, no DTM, na V8 Supercars da Austrália e na tradicional 24 horas de Le Mans, onde o Brasil nunca foi vencedor e nunca deu a merecida atenção à mais famosa prova de longa duração do mundo? É hora de pensar que o automobilismo não se resume à F1, e que há categorias tão importantes quanto (do ponto de vista esportivo, midiático e até mesmo financeiro) a serem exploradas. Hoje, o momento é de direcionar o esforços e investimentos para campeonatos que ainda não somos familiarizados, para que num futuro próximo, possamos ter campeões mundiais também em categorias de turismo e stock car, repetindo o sucesso nacional nas corridas de monoposto dos anos 70, 80 e 90.

sábado, 21 de julho de 2012

Outras raridades de se ver na pista





1. Karmann Ghia TC: Ao contrário do irmão mais famoso, o TC não foi um carro muito utilizado nas pistas. Por volta de 1975, um Karmann Ghia TC disputou provas em Interlagos na antiga Divisão 1.

2. Agrale Marruá: Esse foi um carro que teve vida curta nas pistas. Foi projetado para disputar a temporada de 2007 da antiga categoria Pick-up Racing, inclusive alcançado duas vitórias na temporada (as duas provas do rodada dupla realizada em Jacarepaguá), com Alceu Feldmann e Franco Stédile. Apesar do estilo difrenciado, "meio quadradão", a pick-up da Agrale teve um bom desempenho para a sua temporada de estréia. Prometia muito para o ano seguinte, quando a categoria foi vendida à Vicar, o que acarretou a mundança das pick-ups tradicionais (Ranger, S10 e Marruá, todas com carroceria de rua reforçada e aliviada para corrida) para as horríveis S10 e L200 cabine dupla, tubulares, com motor V8. A categoria ainda resistiu por duas temporadas.

3. Volkswagem Brasília: Nunca tinha visto uma andando em campeonatos de turismo na terra até encontrar esta foto.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Carros raros de se ver nas pistas II

Continuando o post sobre carros raros de se ver nas pistas, mais algumas histórias:

1. Chevrolet Vectra: Apesar da Stock Car Brasil ter utilizado a bolha do Vectra de 2000 até 2003, sabemos que este não era um carro autêntico exemplar do modelo, já que o chassis era tubular, o motor era o mesmo utilizado pela Nascar e o câmbio era argentino, sequencial. Do Vectra mesmo, só as lanternas traseiras! No Brasil, o Vectra propriamente dito não foi muito usado, já que na época o Omega era um tradicional competidor nas pistas brasileiras, sendo impossível disputar a preferência das equipes de competição, muito devido a tradicional mecânica Chevrolet 6 cilindros. Mas em campeonatos internacionais, como o BTCC e o antigo Campeonato Sudam de Superturismo, o sedã da Chevrolet foi bem utilizado. Ainda exisitiu uma categoria inglesa que utilizava o Vectra, chamada Chevrolet Challenge, onde correram os brasileiros Suzane Carvalho e Nonô Figueiredo (1997-1998).

2. Lada Samara: Não encontrei registros de participações do modelo da marca russa em competições de circuito, mas o Samara já foi preparado para correr provas do Mundial de Rally na década de 80.

3. Dodge Dart: Embora tivesse um motor com capacidade volumétrica um pouco maior, se comparado aos concorrentes Maverick e Opala, o maior comprimento e peso da carroceria não ajudavam em nada na performance nas pistas, principalmente nos setores de baixa velocidade e freadas fortes. Dessa forma, até o início dos anos 80, eram poucos os Dart's que corriam nas extintas Divisão 1 e 3, salvo exceções como o piloto Leopoldo Abi-Eçab, que preparou um Dart para correr na Divisão 3 por volta de 1975, mas que não obteve muito sucesso, dada a falta de equilíbrio do carro nas curvas e lentidão nas retas, já que saía mais lento das curvas e não tinha tempo para aproveitar toda a potência do motor nas retas. Os Dodges ainda alcançariam certa notoriedade na categoria Turismo 5000 nos anos 80, onde as provas eram disputadas no anel externo de Interlagos e até mesmo um Galaxie foi desenvolvido para a categoria.

4. Volkswagem TL e Zé do Caixão: Sem a mesma fama dos irmão Fusca e Brasília, o TL chegou a ser usado em provas de circuito e até mesmo em provas de Rally de Regularidade. Já o Zé do Caixão, tinha a fama de carro de taxista, devido à esquisita aversão do brasileiro por carros de 4 portas no anos 60-80. Mas mesmo assim, algunas exemplares do modelo ainda foram preparados na pista, sendo o mais famoso o de Sílvio Montenegro.

5. O Sedã Renault 19, produzido no Paraná de 1994 a 1998, fez pouco sucesso no Brasil no quesito comercial. Nas pistas, não encontrei registos de que tenha sido usado em competições nacionais, sendo utilizado somente  em competições como BTCC.

6. Ford Belina: Numa época em que peruas eram mais difíceis de ser utilizadas em competições, se comparada aos dias atuais, a Equipe Greco preparou uma Belina Corcel, da 1ª geração, para correr em rallys nacionais.














segunda-feira, 9 de julho de 2012

Carros raros de se ver nas pistas

Dedico este post para falar sobre carros pouco usados nas competições. Por diversas razões, muitos veículos que foram sucesso de vendas e aceitação por parte do público consumidor, não foram bem sucedidos em relação ao seu uso nas pistas. Segue então uma pequena lista desses veículos:

1. Chevrolet Monza: Um dos carros mais luxuosos da GM, perdendo em status apenas para o Opala Diplomata, o Monza foi um sucesso de vendas, tanto na 1º geração, quanto na 2ª (tubarão). Até hoje, o carro é um clássico entre os sedãs grandes já produzidos no Brasil. Nas pistas, o carro não teve sucesso, tanto que os únicos registros de um Monza disputando corridas foram:
  • Mil Milhas de 1998 (27ª edição) - Chevrolet Monza Nº 62 - Filipe Meirelles e Mirko Hlebanja - 19º posição na geral/248 voltas (tempo de classicação: 2min17s124)
  • 500 Km de Interlagos  de 2000 (19º edição) - Chevrolet Monza Nº 62 - Filipe Meirelles e Adriano Medeiros
Ainda há registros de participação de Monza em uma categoria chamada TC 2000 América, e em provas de arrancada do antigo campeonato paulista, disputado em Interlagos até 2007.

2. Fiat Tempra: O Tempra chegou a ser o carro mais veloz vendido no Brasil, mas essa performance não foi suficiente para propocionar vitórias nas pistas. Em 1994, a Fiat tentou criar uma categoria monomarca do modelo Tempra Turbo, lançado naquele mesmo ano. A responsabilidade pelo desenvolvimento do carro ficaria por parte da Greco Competições, que chegou até a montar um protótipo para testes. Porém, a idéia não foi adiante, pois o presidente da CBA na época, Reginaldo Bufaiçal, não autorizou as atividades da categoria, alegando que esta iria competir diretamente com a Stock Car e essa concorrência seria "danosa para o automobilsimo nacional"¹. Há ainda registros de que um Tempra chegou ser preparado para andar no Campeonato Gaúcho, em Tarumã, mas a aventura não foi das melhores, pois o tempo de volta dele era similar ao de um Speed 1600. Além de que o acerto de suspensão (principalmente da suspensão traseira) para a pista, era algo impossível de se conseguir.

¹ Fonte: www.gptotal.com.br

3. Volkswagem Logus: Um dos frutos da Autolatina, a parceria firmada entre a Ford e a Volkswagem entre os anos de 1987 e 1996, não teve boa aceitação pelos consumidores. Nas pistas, idem. Há registros de alguns que correram na tradicional 12 Horas de Tarumã, na década de 90, e em campeonatos de turismo no RS e Paraná, sobretudo Cascavel.

4. Suzuki Swift: Nunca foi usado em corridas no Brasil, somente em outros lugares do mundo.

5. AeroWillys: Grande, pesado e muito "parrudo" se comparado com os concorrentes da época (Simca Chambord e FNM JK 2.0), o AeroWillys não foi um assíduo frequentador de provas na década de 60. Porém, poucos ainda se arriscaram em colocá-lo nas pistas.

6. Volkswagem Kombi: Por incrível que pareça, já houveram corridas de Kombi no Brasil. Isso ocorreu na década de 60, mais precisamente em 1968 no autódromo de Jacarepaguá, Rio. Na mesma época, ocorreu uma outra corrida de Kombi em Cascavel, PR.

7. Volkswagem Apolo: Usado na Copa Shell de Marcas, em 1992, e no antigo Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, sobretudo pela dupla Jorge de Freitas e Paulo Sarmento.

8. GM Kadett: Não há registros de que tenha sido usado em competições. Mas nos últimos anos dos Brasileiro de Marcas, foi iniciado um projeto de um Kadett para disputar o campeonato, porém a iniciativa esbarrou nas especificações e limitações técnicas do regulamento e o carro nunca andou. Já em provas de arrancada, o piloto Vicente Orige fez muito sucesso por volta de 2004, correndo com um Kadett na categoria Super Street Tração Dianteira, no Campeonato Paranaense, e posteriormente com outro modelo, menos preparado, na categoria Street Tração Dianteira.

Entre outros carros raros nas pistas estão:

- Um Ford Galaxie preparado pela equipe Automotor, que correu na década de 1980 na categoria Turismo 5000. O carro ficou guardado durante anos em uma oficina, que ficava perto de um viaduto, quando um caminhão caiu da ponte, e acertou o teto da oficina com o Galaxie dentro.

- Uma Peugeot 806 já disputou as 24 Horas de Spa, na Bélgica.

- Já foi realizada uma corrida só com Homi-Isettas em Interlagos

- O Mondeo da Ford foi muito utilizado no Campeonato Sulamericano de Superturismo, no fim da década de 1990 e em provas na Europa

-  O Volkswagem SP2 já foi utilizado em provas de Rally Clássico

- Uma GM Ipanema estava sendo preparada há dois anos atrás para correr em provas de longa duração

- GM Corsa Sedan, Fiat Prêmio e Volkswagem Polo correram em provas de marcas e pilotos em São Paulo e no Rio Grande do Sul

- O piloto Leandro de Almeida preparou um Ford Ka para pistas, utilizando o motor 2.0 do Mondeo

Citei que carros como o Monza e o Kadett já foram utilizados com sucesso em provas de arrancada somente como referência. A preparação e as necessidades de um carro de circuito são muito diferentes de um carro de arrancada, o que torna a adaptação desses carros mais difícil.