"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Thomas, Kimi Raikkonen e o GP da Espanha de 2017



Após mais de uma semana do GP da Espanha de Fórmula 1, ainda me vem à lembrança a imagem do garotinho Thomas e seu sorriso "banguelo", rsrsrsrsrs. O ponto mais marcante desse episódio, a meu ver, não foi o seu choro na arquibancada, motivado pelo precoce abandono de Kimi Raikkönen, mas sim, o momento de emoção e felicidade de ter sido levado para junto do seu ídolo. Há muito tempo não víamos coisa parecida no paddock, o que somente deixa o esporte tão cinza quanto os carros da Mercedes.

É amigos, a Fórmula 1 parece ter adquirido uma nova cara, mais humana, próxima dos seus fãs, que, afinal, é quem mantém o circo em pé. E isso é muito bom para o esporte, tornando-o mais atraente e próximo do programa para todas as idades que deve ser. Vida longa ao esporte a motor!


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Maverick modificado da Automotor - 1987


O registro de hoje nos remete à XVII edição da Mil Milhas Brasileiras, disputada em 25 de janeiro de 1987, prova que fora marcada pela forte e insistente chuva que permaneceu durante quase toda a prova.

Naquele ano, fora inscrito sob o nº 11, um exemplar do Ford Maverick preparado pela equipe Automotor, chefiada pelo Sr. Luiz Francisco Batista, que disputava provas do Campeonato Paulista de Automobilismo, sobretudo a veloz Turismo 5000, que corria apenas no anel externo de Interlagos.

A preparação do "Maveco" incluía o tradicional e esmerado acerto de carburação da equipe, forte trabalho de alívio na carroceria e até mesmo o rebaixamento do teto, como forma de proporcionar ganhos aerodinâmicos e assim fazer frente aos Opalas Stock Car, sempre bem preparados e com grandes times de pilotos no comando.

A pilotagem ficou por conta da dupla Denísio Casarini/Luis "Pitoco" Rosenfeld", época em que Casarini havia dado uma pausa em sua vitoriosa carreira nas motos e vinha disputando provas na Stock Car e no Brasileiro de Marcas e Pilotos, enquanto Rosenfeld igualmente disputava o Brasileiro de Marcas, em dupla com Valdir Florenzo em um Escort. Cabe lembrar que o piloto é tio do campeão Gil de Ferran.

E o resultado foi animador, inclusive o melhor da equipe em classificações gerais nas suas participações em Mil Milhas: 5º lugar, atrás somente dos Opalas Stock que dominaram a prova nos anos 80.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Túnel do tempo: DTM Pick up e os grid lotados do início dos anos 2000


Fazendo uma verdadeira volta ao tempo, relembramos hoje uma categoria que ficou marcada pelos grandes grids e arrojadas disputas, sobretudo na pista de Interlagos. Trata-se da DTM Pick up, a qual era disputada por exemplares do pequeno utilitário da Ford, a Courier de 2ª geração, popularmente chamada de "cara de gato".

A categoria teve início no ano de 2001, mais precisamente no dia 29 de abril daquele ano, sendo as corridas televisionadas pela ESPN Brasil. A primeira pole position fora marcada por Sérgio Burger, com o tempo de 2min12s422, enquanto que a vitória ficou com Cláudio Gontijo, com a mínima vantagem de 0s211 para Sérgio Bürger, após 18 voltas de disputa. No primeiro ano, dentre os competidores estavam nomes como Belmiro Ferreira Jr., Fábio Carreira, Otávio Mesquita, Suzane Carvalho e até mesmo o piloto de motos Alexandre Barros, que disputou a 11ª e última etapa da primeira temporada, terminando na ótima 4ª posição. Ao final, o título ficou com Fábio Carreira, enquanto Sérgio Bürger fora o vice campeão.

Já no ano seguinte, o grid passou a ser dividido em duas categorias - A e B - bem como fora disputada uma prova como preliminar da Fórmula Truck quando de sua passagem por Interlagos, em setembro de 2002. Naquele ano, os títulos ficaram com Ricardo Bürger (Cat. A) e Dimas de Melo Pimenta III (Cat. B). Em 2003, as picapes passaram a disputar o campeonato como categoria preliminar da Fórmula Truck, e o grid só aumentou, chegando a 40 carros, agora divididos em 03 categorias, Super A, "A" e Novatos. Cabe destacar que a Courier fora igualmente utilizada nas Mil Milhas, neste caso nas edições de 2003 e 2005, assunto este que já foi tratado neste blog e que pode ser relembrado neste link.

Há quem diga que o fato de ter se tornado preliminar da Truck fez com que o grid fosse esvaziando aos poucos, em razão dos altos custos e retorno insuficiente. A partir de 2006, após deixar de fazer parte da programação da Truck, a até então DTM Pick up passou a ser chamada de CTC Pick up, mudança que veio acompanhada da troca do propulsor 1.6 litros utilizado, que passou a ser o VW AP 1.8 e utilização de pneus slick aro 15. Nesta fase, com corridas disputadas somente em Interlagos, participaram nomes como Celso Jordão, Aristides Dalécio, André Posses e Valéria Zopelo. A categoria durou até meados de 2007, porém alguns carros ainda foram utilizados esporadicamente em corridas regionais nos anos posteriores.

Sem dúvida alguma a categoria das pequenas pick ups foi uma página interessante de nosso automobilismo, sobretudo pelos acirrados pegas, e pela igualdade dos bólidos, onde boa parte do grid andava junta o tempo todo.

Campeões da categoria:

2001: Fábio Carreira (Categoria Única)
2002: Ricardo Bürger (Cat. A) e Dimas de Melo Pimenta III (Cat. B)
2003: Eduardo Garcia (Super A), Oscar Perrot (Cat. A) e Allan Bauer (Novatos)
2004: Eduardo Garcia (Super A), Thiago Cecco (Cat. A) e Fábio Delamuta (Novatos)
2005: Lairton Miranda (Super A) e Cássio Homem de Mello (Cat. A)
2006: Célio Deber Jr. (Super) e Chico Moreira (Light)
2007: Campeões não encontrados









quinta-feira, 20 de abril de 2017

Maverick "Tubarão Branco" de arrancada da Powertech


Faz tempo que não falamos sobre arrancada nesse blog. Então, no retorno da categoria à nossa pauta de assuntos, vamos relembrar um bólido que teve vida curta nas pistas, mas que impressionou pela sua estrutura e, sobretudo, pela força descomunal de seu motor.

Estamos falando do Maverick Pro Mod construído pela equipe Powertech de Curitiba, com larga experiência nas competições automobilísticas, inclusive na Stock Car Brasil. O bólido em questão, apelidado de "tubarão branco", fora construído em meados de 1996, e conta com chassi tubular em cromo-molibdênio e carroceria feita em fibra de vidro e de carbono, o que garante o baixo peso e resistência no caso de impactos.

Após vários anos parado, o piloto André Takeda alugou o carro e instalou nele a mecânica derivada de seu dragster, um motor Chevrolet V8 small block 6.2 litros, sobrealimentado por um blower regulado para 2.7 kg de pressão, o que resultava na potência aproximada de 1.700 cavalos, domada por um câmbio poweglide automático de 03 marchas.

A reestréia aconteceu durante o 11º Festival Força Livre de Arrancada, disputado na reta do Autódromo Internacional de Curitiba entre 25 e 28 de novembro de 2004. O Maverick chegou a andar na casa dos nove segundos, porém tal marca não refletiu o poder de fogo do carro, visto que era impossível mantê-lo em linha reta durante os 402 metros de puxada, tamanha a força do motor! No ano seguinte, André Takeda ainda registrou algumas participações no campeonato paranaense, porém os problemas com o acerto do carro fizeram com que o projeto fosse abortado.






quarta-feira, 5 de abril de 2017

Alfredo Guaraná Menezes (1952 - 2017)


Foi com pesar que no último dia 26 o automobilismo brasileiro recebeu a notícia do falecimento piloto Alfredo Guaraná Menezes Júnior, uma das figuras mais simpáticas e de grande caráter que já existiu em nosso esporte a motor. Depois de uma internação que já durava mais de 03 (três) meses, para tratar problemas decorrentes de cirrose hepática, que o colocaram na fila de espera por um transplante de fígado, Guaraná não resistiu a um infecção generalizada e ruptura de hérnia, que culminaram na falência múltipla de órgãos, levando-o a óbito por volta das 11h30min do domingo.


Sem sombra de dúvidas foi um dos maiores nome do nosso automobilismo, e sua carreira só não alçou voos ainda mais altos por simples falta de esquemas de corrida mais estruturados, que lhe dessem condições de mostrar o seu talento, o que, diga-se de passagem, ele tinha de sobra. No Brasil, fora bicampeão da Fórmula Super Vê (1978 e 1979), sendo o grande rival de Nelson Piquet antes do futuro tricampeão de Fórmula 1 partir para a Europa. Porém, sua marca mais expressiva, em caráter internacional, foi o 2º lugar na categoria e 7º na classificação geral obtidos nas 24 horas de Le Mans de 1978, a bordo de um Porsche 935/77 3.0L Turbo, formando trio com Paulo Gomes e Marinho Amaral, depois de largarem na 23ª posição.

Ainda teve fôlego para em 1981 ser campeão brasileiro da Fórmula 2, antes de disputar provas na Stock Car pela equipe montada pelo pai do piloto Hélio Castroneves, bem como da Fórmula Chevrolet, em seus primórdios, nos anos de 1994 e 1995.

Sua história nas Mil Milhas Brasileiras começou em 1973, quando obteve o 5º lugar em um VW Divisão 3, atrás somente dos grandalhões Maverick e Opala, dividindo a pilotagem com Luigi Giobbi. Porém, sua performance final merece algumas explicações. Guaraná chegou a ocupar a 2ª colocação, porém teve um para-brisa quebrado e depois a embreagem. Quando restavam 07 voltas para o final, rodou na curva da ferradura, o que fez com que perdesse a 4ª posição, terminando com 06 voltas de desvantagem para os vencedores, Bird e Nilson Clemente.

Na prova seguinte, disputada em 1981, teve seu melhor resultado, ao alcançar a 3ª posição na geral, com um Opala Stock em trio com Paulo Valiengo e Aldo Pugliese, apenas 03 voltas atrás dos vencedores, os irmãos Giaffone e Chico Serra, que igualmente correram de Opala.

As últimas participações de Guaraná nas Mil Milhas ocorreram nos anos de 2001 e 2002, sendo que no primeiro ano correu de BMW, terminando na 9ª posição geral e 1ª na classe 2, enquanto que em 2002 fora inscrito no Lister Storm de Alcides Diniz, que completou apenas 11 voltas, abandonando por conta de problemas com os pneus, bem como na BMW M3 da mesma equipe, que chegou a completar somente 48 voltas.

Suas últimas corridas foram 02 etapas (4ª e 9ª) da temporada 2006 da Stock Light, quando correu em Interlagos para conhecer melhor o carro de sua própria equipe, que na época era pilotado por Cadu Pasetti.

Que descanse em paz e siga sua nova jornada, Guaraná!









quarta-feira, 22 de março de 2017

Séries nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte X: Luciano Burti


Continuando a nossa série sobre os pilotos que fizeram ou ainda fazem parte da Stock Car, falaremos hoje de um nome que integrou o grupo de egressos da Fórmula 1 que disputou a categoria. Trata-se do piloto e comentarista Luciano Pucci Burti.

Burti nasceu na capital paulistana em 05 de março de 1975, e começou sua carreira nas pistas em 1991, aos 16 anos. Após os títulos paulista e sul-americano, mudou-se para a Inglaterra em 1996, para competir na extinta Fórmula Vauxhall, tendo sido campeão da categoria em 1997. Nas temporadas de 1998 e 1999, disputou a Fórmula 3 Britânica, tendo sido vice-campeão no último ano.

Em 2000, passou a se dedicar somente à função de piloto de testes na Fórmula 1 pela equipe Jaguar, quando fez sua estréia no GP da Áustria, em substituição o irlandês e então vice campeão do mundo, Eddie Irvine. Esta foi a sua única corrida na temporada, ao passo que se tornou piloto titular em 2001, disputando apenas 5 provas pela Jaguar, quando fora substituído por Pedro de La Rosa, o que causou a sua mudança para a Prost. E o término da sua carreira na F1, no GP da Bélgica daquele ano, após o incrível acidente sofrido na curva blanchmont - que o deixou em coma por vários dias - todos já conhecem.

Sua estréia na Stock Car ocorreu no ano de 2005, pela então campeã RC Competições, de Rosinei Campos, que renovou seu time ao contratá-lo para formar dupla com Antônio Jorge Neto. A estréia foi das melhores, pois alcançou o lugar na prova de abertura, em Interlagos. Numa época em que somente os 15 primeiros pontuavam e não existia o sistema de rodada dupla, Burti terminou o campeonato na 5ª posição, com 79 pontos marcados.

Na temporada seguinte, rumou para a extinta Action Power, de Paulo de Tarso, onde ficou até o fim de 2008, obtendo resultados mais discretos. Com a mudança do regulamento e dos carros da Stock, mudou também de equipe, passando para a também extinta Boettger, de Ereneu Boettger, onde alcançou suas 02 vitórias na categoria, obtidas em Tarumã (2009) e Campo Grande (2011).

Após a longa parceria na equipe catarinense, firmou contrato com a tradicional Vogel, de Petrópolis, sob a batuta de Mauro Vogel, pela qual disputou a temporada de 2014, sendo que os resultados mais expressivos foram dois terceiros lugares - Brasília e Salvador. Já em 2015, acertou com a RZ Motorsport de Ricardo Zonta, com resultados ainda mais discretos.

A carreira de Burti na Stock fora interrompida após as duas primeiras etapas da temporada de 2016, em razão de problemas financeiros ocorridos entre a equipe RZ e sua então principal patrocinadora, a empresa do ramo de materiais de limpeza Klar, que inclusive afastou a equipe de várias etapas da temporada passada. No retorno, a dupla de pilotos foi formada por César Ramos e Danilo Dirani.


Quadro Resumo da carreira de Burti na Stock:

- 02 vitórias (Tarumã 2009 e Campo Grande 2011)

- 03 poles (Curitiba e Santa Cruz do Sul em 2006 e Ribeirão Preto em 2011)

- 10 pódios

- 04 voltas mais rápidas

- 148 corridas

- Equipes: RC Competições, Action Power, Boettger, Vogel e RZ Motorsport.

Destaque: Nesse meio tempo, venceu os 200 km de Buenos Ayres em 2005, com Diego Aventín, em um Ford Focus da categoria TC 2000.





 


quinta-feira, 9 de março de 2017

Peugeot Hoggar de corrida

 
Pick-up's de corrida não são exatamente uma novidade no automobilismo brasileiro. Por aqui já tivemos as saudosas DTM Pick-up e Pick-up Racing, a nem tão saudosa Copa Montana, além de outras oportunidades em que utilitários foram postos na pista, como por exemplo, as Montanas Flex Power que correram na Mil Milhas de 2004, história que já foi contada aqui no blog. Além de uma Saveiro, que correu nos 1000 km de Brasília de 2003, história que também já foi contada por aqui.

Hoje o assunto é a Peugeot Hoggar 1.6 da equipe WRC/Le Lac, que disputou provas de longa duração nos Campeonatos Brasileiro e Paranaense, entre 2012 e 2014. A estreia do bólido ocorreu na 21ª edição das 500 Milhas de Londrina, disputada em dezembro de 2012, sendo conduzido pelos experientes José Córdova e José Vitte, em quarteto com Marcos Ramos e Marcelo Karan. Após largarem na 21ª posição na geral e 3º na categoria B -, terminaram a disputa na 23ª posição na geral e 2ª na categoria.

Ausente na prova de 2013, em que pese ter sido inscrita em outras provas longas, a Hoggar voltou nas 500 Milhas de 2014, quando os pilotos Cláudio Kiryla/Marcelo Karam/Gustavo Kiryla largaram em 2º lugar no grupo V e na 16ª colocação na geral, tendo ocupado a 13ª colocação, onde estavam na 5ª hora da prova. Entretanto, um problema de motor fez que com que a picape abandonasse a prova, com 215 voltas completadas e 03 paradas nos boxes. No final, o trio terminou na segunda posição no grupo V.

Para efeitos de comparação, o tempo de volta, no Autódromo Internacional de Curitiba, girou em torno de 1min58s313, enquanto que em Londrina fora registrada a marca de 1min28s610. Além dos pilotos já citados que conduziram a Hoggar, destacamos também a participação de Davi Dal Pizzol.