"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Piloto Vitor Meira


Nascido em Brasília - DF, no dia 27 de março de 1977, Vitor Meira conquistou seu primeiro título no automobilismo no ano de 1995, ao vencer o torneio de inverno da Fórmula Ford Britânica, após 05 corridas disputadas e 03 vitórias.

Pouco tempo depois, em janeiro de 1997, disputou sua primeira Mil Milhas Brasileiras, que naquela ocasião, fora disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. Entre os "mortais" - pilotos que disputaram a prova com carros nacionais, excetuando-se o Mclaren F1 BMW de Piquet e Cia e o Porsche 911 da Equipe Stuttgart - foi o melhor colocado, na 3ª posição no geral, a bordo de um Protótipo AS Vectra 2.0 em trio com Athos Diniz e Alex Bachega, "apenas" 40 voltas atrás do foguete vencedor.

1997 marcou seu último ano na Fórmula Ford, já que disputou a temporada de 1998 da Fórmula Renault Britânica, pela equipe Martin Donelly Racing, tendo conquistado 01 vitória e o 4ª lugar na classificação geral. Vale lembrar que o campeão daquele ano fora o também brasileiro Aluizio Coelho.

De volta ao Brasil, em 1999, fez sua estréia na Fórmula 3 Sulamericana, que vivia grande fase, com grandes revelações do automobilismo da época em seu grid. A bordo do Dallara 394 Mugen-Honda da equipe de Amir Nasr, venceu 02 (duas) corridas, foi ao pódio outras 05 (cinco), registrou 01 pole position e 01 volta mais rápida. Na classificação final, terminou na 6ª posição, inclusive atrás de seus dois companheiros da equipe principal, os gêmeos Ricardo e Rodrigo Sperafico, e obviamente, do campeão Hoover Orsi.

Naquele ano, disputou sua 2ª Mil Milhas, sob o comando do Proton BP7, que por sua vez estreava nas Mil Milhas. O BP no nome eram as iniciais de Beach Park, um dos patrocinadores da equipe cearense responsável pela construção e preparação do bólido, que era empurrado por um motor BMW. Além de Vitor Meira, a condução do protótipo ficou a cargo dos cearenses Hibernon Cysne e Arialdo Pinho. A corrida para o trio terminou pouco depois da metade, com 240 voltas completadas (das 433 completadas pelo vencedor), o suficiente para deixá-lo na 19ª posição, num grid de 35 carros.

Porém, a grande mostra do talento de Meira fora dada na temporada 2000, quando venceu o campeonato Sulamericano de Fórmula 3, após 08 vitórias, 5 pódios, 4 pole positions e 3 voltas mais rápidas, além da confortável vantagem de 31 pontos para o vice campeão, João Paulo de Oliveira.

O ano de 2001 fora deveras movimentado para o piloto brasiliense, sobretudo pela variedade de categorias e campeonatos que participou, senão vejamos:

1. Fórmula 3 Italiana - Disputou apenas 01 corrida, porém largou na pole position, fez a volta mais rápida e terminou no pódio.

2. 29ª Edição da Mil Milhas Brasileiras - Novamente a bordo do Proton BP7, Vitor Meira vinha forte para tentar surpreender os favoritos à vitória. Neste ano, a preparação ficou por conta da equipe Dragão Motorsport, que na época disputava a Fórmula 3 Sul-Americana. Para se ter uma ideia da performance do Proton BP7 BMW, a máxima no fim da reta dos boxes era de 215 km/h, e chegou a marcar nos treinos o tempo de 1min43s726, sob o comando do próprio Meira. Nos treinos classificatórios, a marca de 1min44s888, suficiente para posicionar o trio Cysne/Pinho/Meira na 6ª posição no grid. Na corrida, a posição final foi a 21ª, com 263 voltas completadas.

3. Fórmula 3000 Européia - Em que pese tratar-se da nova denominação do antigo campeonato de Fórmula 3000 Italiano, o Europeu de 2001 tinha como representantes brasileiros, além de Vitor Meira, o futuro F1 Felipe Massa (e que inclusive fora campeão da categoria naquele ano) e o talentoso Leonardo Nienkotter. Pela equipe ADM Motorsport, disputou 07 das 08 corridas, tendo alcançado 03 pódios (dentre eles o 2º lugar em Zolder/Bélgica) e a 5ª posição na classificação geral.

4. Fórmula 3 Sulamericana - Disputou somente a etapa de Londrina, por ocasião de estar no Brasil naquele fim de semana, quando terminou na 4ª posição.

5. BRASCAR - Este fora um antigo campeonato de corridas longas, disputado, sobretudo, no eixo Rio Grande do Sul/Paraná, onde corriam vários protótipos, dentre eles o MCR, Aldee Spyder e o Esprom. Naquela temporada, Meira correu em parceria com Juliano Moro em 02 provas, tendo vencido uma delas, as 3 horas de Tarumã.

Antes de estrear no automobilismo norte-americano, em 2002, o piloto disputou sua 3ª Mil Milhas, desta feita a bordo de um MCR VW Turbo, formando trio com Nelsinho Piquet e Juliano Moro. Na corrida, chegou a liderar mais de 100 voltas logo após a largada. Porém, após 175 voltas, o eixo-piloto quebrou, deixando a pé o trio de campeões da F3 Sulamericana (Meira fora campeão em 2000, Moro em 2001 e Nelsinho seria em 2002).

De forma paralela, ainda alinhou nas 03 (três) primeiras etapas da Fórmula 3000 Européia, novamente pela ADM Motorsport, sem maiores destaques.

Passando à IRL, a temporada de 2002 para Vitor Meira fora curta, com apenas 04 corridas (Kentucky, Saint Louis, Chicago e Texas), todas pela equipe Team Menard. Entretanto, a última corrida do ano reservou um lugar de destaque, que começou com a pole position nos treinos e terminou com o 3º lugar na prova.

Em 2003, mais uma Mil Milhas Brasileiras, oportunidade em que a vitória esteve bem perto de suas mãos, através do Protótipo ANR Chevrolet. Construído em meados de 2002 pela equipe brasiliense Amir Nasr Racing, tradicional e vitoriosa na Fórmula 3 Sulamericana e que até 2014 disputou o Brasileiro de Marcas e Pilotos, após passagem na Stock Car, o projeto partiu de um chassi de Fórmula 3, do qual foram aproveitados o núcleo central (chassi) e a suspensão. Já o propulsor utilizado foi um Opel 2.0 litros, cuja preparação rendia cerca de 240 cavalos.

Na prova, a condução ficou sob a responsabilidade do quarteto Vitor Meira/Rogério Villas Boas/Antônio Villas Boas/Alexandre Rodrigues, sendo que Meira pilotou a maior parte do tempo. No grid, o ANR partiu da 6ª posição, com o tempo de 1min43s653. A performance na corrida pôde ser comemorada como uma vitória, tendo em vista que para chegar na 2ª posição, o pequeno protótipo superou concorrentes muito mais fortes, como os dois Porsches 911 GT3 que ficaram na 3ª e 4ª posições. De quebra, o ANR ainda registrou a volta mais rápida da prova, com o tempo de 1min42s433, média horária de 151,439 km/h.

Voltando à IRL, 2003 fora um ano de resultados discretos, pois das 10 provas disputadas, teve como melhor resultado um 4º lugar no Texas, palco do pódio de 2003. E também marcou a sua despedida da Menard, passando a correr pela Rahal Lethermann Racing, onde alcançou seus melhores resultados:

2004:

2º Lugar em Richmond e Kansas (apenas 0s005 atrás de Buddy Rice)
Pole em Milwaukee
Volta mais rápida na Indy 500, Texas, Nashville, Kentucky, Chicago e e Fontana

2005:

2º Lugar na Indy 500 e Kentucky
3º Lugar em Kansas e Fontana


Em 2006, Meira assinou com a equipe Panther, e os bons resultados persistiram:

2006:

2º Lugar em Watkins Glen, Richmond e Michigan.
3º Lugar em Kansas, Nashville e Sonoma.

2008:

2º Lugar na Indy 500

Contudo, no fim da temporada de 2008, a parceria com a Panther terminou, razão pela qual Meira passou a correr pela A.J. Foyt Enterprises, inclusive na última etapa daquele ano, disputada em Surfers Paradise, circuito de rua da Austrália. A carreira na Foyt, e consequentemente na Indy, durou até o fim de 2011, sendo que o melhor resultado obtido na equipe fora o 3º Lugar na São Paulo Indy 300 de 2010.

Ainda em 2006, disputou sua última Mil Milhas, a bordo do Protótipo ZF-Chevrolet V8, em trio com Paulo Bonifácio e Felipe Giaffone. Depois de largar na pole, com o tempo de 1min30s247, Meira liderou as 20 primeiras voltas, tendo retomado a liderança da prova na volta 40, após a parada dos boxes. Entretanto, 17 voltas depois, o motorzão Chevrolet estourou no S do Senna, pondo fim à empreitada do trio.

No discreto ano de 2007, disputou também a 10ª etapa da extinta categoria A1 GP, realizada no circuito de Shanghai, na China. No grid, conquistou o 15º lugar entre os 22 carros que largaram, à frente de Sérgio Pérez e Allam Khodair, ao passo que na corrida, foi apenas o 14º colocado.

Na temporada 2012, Vitor Meira volta ao Brasil, desta feita para fazer sua estréia na Stock Car, pela equipe Officer Pro GP, de Duda Pamplona. Isto 08 anos após quase participar da categoria, pois chegou a ser anunciado como companheiro de Adalberto Jardim na equipe Nasr-Castroneves. Nas 12 corridas da temporada, teve um 8º lugar como melhor resultado (Curitiba), terminando a temporada com 45 pontos marcados.

Em que pese a experiência regular na Stock ter durado apenas 01 ano, isto não significou que o carros de turismo foram deixados de lado. Já no ano seguinte, Meira estreou no Brasileiro de Marcas, mais especificamente na 4º rodada, disputada no Autódromo Internacional de Curitiba, em agosto de 2013. Reeditando a parceria com Amir Nasr, assumiu o volante de um dos Ford Focus da equipe, e já na 1ª corrida, chegou na 2ª posição, após largar na pole position. E o melhor estava por vir, pois, mesmo com a regra da inversão do grid, tendo que largar na 7ª posição, venceu a 2ª prova, que marcou também a 1ª vitória da Ford na categoria.

Passados 15 anos do seu último título no automobilismo, Meira voltou a faturar um campeonato, desta vez no Brasileiro de Marcas. Em 2015, após 16 corridas, terminou 27 pontos à frente de Gustavo Martins para levar mais um título para a Honda, pela equipe de seu antigo parceiro de corridas, Juliano Moro (JLM Racing). E este foi um campeonato marcado pela regularidade, pois a sua vantagem fora construída com 04 segundos lugares, 03 terceiros e 03 quintos, a la Keke Rosberg em 1982 na Fórmula 1, ou seja, sem nenhuma vitória.

Nas corridas de duplas da Stock Car, igualmente esteve presente nas edições de 2014 a 2016. No primeiro ano, formou dupla com Vitor Genz no Peugeot 408 da equipe Boettger Competições, tendo abandonado a 05 voltas do final. Em 2015 e 2016, formou dupla com Max Wilson no Chevrolet Sonic da RC Competições, tendo finalizado as provas em 6º e 18º, respectivamente.

E recentemente, fora anunciado como titular do carro nº 43 da equipe Mico's Racing, dos irmãos uruguaios Pablo e Juan Carlos "Mico" López, que correrá pelo menos a etapa de abertura com dois carros. Para a corrida, Vitor Meira acertou a parceria com Vicente Orige, atual campeão do Brasileiro de Marcas.


* Os direitos de imagem referentes às fotos abaixo estão reservados aos seus autores. Caso seja do interesse dos respectivos a retirada das fotografias desta postagem, favor entrar em contato.


1000 km de Brasília - 2002 - Protótipo ANR

Fórmula 3 Sulamericana - Amir Nasr Racing - 1999

Fórmula 3 Sulamericana - Amir Nasr Racing - 2000


Brasileiro de Marcas - 2013

Stock Car 2012

MCR VW Turbo - Mil Milhas de 2002

Proton BP7 BMW - Mil Milhas de 2001

Protótipo ZF Chevrolet V8 - Mil Milhas de 2006

Brasileiro de Marcas 2015

Indy Racing League 2003

IRL 2004

IRL 2006

IRL 2007

IRL 2011

Stock Car 2016

Brasileiro de Marcas 2014
Stock Car 2014

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Largada da Mil Milhas de 1961


Seguindo a tradição dos anos anteriores, a 6ª edição da Mil Milhas Brasileiras, disputada em 26 de novembro de 1961, teve o grid formado no estilo "Le Mans", ou seja, pilotos de um lado e carros do outro, dispostos em 45º em relação à pista.

Na foto abaixo, temos os seguintes pilotos e bólidos nas primeiras posições:

1 - Alfa Romeo FNM nº 01 - Christian Heins/Chico Landi - Vencedores do ano anterior, terminaram a prova na 2ª posição, com a desvantagem de apenas 12 segundos para os vencedores, a Carretera Chevrolet nº 09 de Orlando Menegaz e Italo Bertão.

2 - Carretera Chevrolet Corvette 4.5 nº 02 - Caetano Damiani/Ivo Rizzardi - Terminaram na 5ª posição, sendo esta Carretera posteriormente vendida ao piloto Roberto Galucci.

3 - Alfa Romeo FNM nº 70 - Sérgio Palhares Castro/José Francisco Silva - 12ª posição, com 181 voltas completadas.

4 - Carretera Chevrolet Corvette 4.3 nº 04 - Camilo Christópharo e Celso Lara Barberis - 14ª posição ao final. Esta Carretera havia sido comprada de José Gimenez Lopes, teve o teto rebaixado, e posteriormente fora vendida a Catharino Andreatta.

5 - Alfa Romeo FNM nº 05 - Mario Olivetti e Ailton Varanda - Trata-se de um FNM modificado, que por conta de sua aparência estranha, ganhou na época o apelido de "Tanto-Faz", pois a traseira se confundia com a dianteira. A performance na prova foi das melhores, pois a dupla terminou na 3ª posição, com 195 voltas.

6 - Carretera Chevrolet Corvette 4.5 nº 58 - Antônio Carlos Aguiar e Antônio Avallone - Encerrou a prova na 8ª posição.

7 - Carretera Chevrolet Corvette 4.3 nº 09 - Orlando Menegaz e Italo Bertão - Vencedores da prova, com a vantagem de 12 segundos para o FNM nº 01 de Heins/Landi, conforme dito acima.






quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O Piloto Rafael Sperafico


No dia 09 de dezembro passado, completou-se 10 anos do fatídico acidente que ceifou a vida do piloto paranaense Rafael Sperafico, ocorrido na última etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car Light. Em que pese o atraso desta postagem, sempre será oportuno lembrar da curta carreira deste talentoso piloto do clã Sperafico.

Rafael nasceu na cidade de Toledo, interior do Paraná, no dia 22 de abril de 1981, e após vários anos de kart, fez sua estréia no automobilismo pela categoria Barber Dodge Pro Series, na última etapa da temporada 2000. Na prova disputada em Miami, obteve o 11º lugar, enquanto seu primo, Alexandre, fora o terceiro e a vitória ficou com o também brasileiro Nilton Rossoni, campeão daquele ano.

Em 2001, disputou a temporada completa da categoria, sendo eleito o "Rookie of the year" (estreante do ano), com dois terceiros lugares como melhores resultados, obtidos em Phoenix e Laguna Seca. Ao final do campeonato, conquistou a sétima posição na tabela.

A temporada de 2002 lhe reservou resultados ainda melhores, pois venceu a etapa disputada em Laguna Seca (um hat-trick, pois largou na pole e registrou a melhor volta), foi segundo em Vancouver e Mid-Ohio, além de ter conquistado o 3º lugar em Montreal. Somando-se a estes resultados, marcou também a pole em Toronto e a melhor volta em Mid-Ohio e Road America. Tais resultados lhe garantiram o vice-campeonato da categoria, atrás de A.J. Allmendinger.

No ano de 2003, escolheu dar um rumo diferente à carreira, ao atravessar o Atlântico e passar a competir na Euro Fórmula 3000, pela equipe italiana ADM Motorsport. Os resultados não foram dos melhores, e Rafael deixou o campeonato antes do fim, pois não disputou as etapas de Jerez de la Frontera e Cagliari, sendo substituído por Jaime Melo Jr. Como melhor resultado, o 5º lugar obtido em Brno.

Após isso, Sperafico deu uma pausa nas competições e resolveu dedicar-se aos estudos. A volta ao automobilismo ocorreu quase um ano depois, quando disputou 07 (sete) etapas da Stock Car Light, pela equipe Powertech. A estréia ocorreu na rodada dupla disputada em Jacarepaguá (3ª etapa), quando terminou as provas na 9ª e 10ª posições, após ter sofrido com problemas na classificação.

Outra pausa em 2005, e a volta ocorreu na então estreante Super Clio, que foi assunto deste blog no mês de novembro. Naquele ano, venceu duas corridas e foi o 4º no campeonato, correndo pela Gramacho Racing.

2007 marcou sua volta à Stock Light, desta feita pela equipe FTS Competições, sendo companheiro de equipe de Gustavo Sondermann, que morreria após pouco mais de 03 anos na mesma curva, numa corrida da sucessora da Stock Light, a Copa Montana. O ponto alto da temporada foi o hat-trick obtido na 3ª etapa, disputada em Campo Grande/MS, enquanto a vitória fora obtida com a expressiva vantagem de 12s312 para seu companheiro de equipe, Sondermann. Completando o pódio, estava o paulista Angelo Serafim.

Na última etapa, disputada no 09 de dezembro de 2007, o título ainda estava sob disputa, tendo Gustavo Sondermann, Norberto Gresse Filho e André Bragantini Jr. como postulantes. Sondermann iniciou a prova na pole position, tendo Sperafico ao seu lado na primeira fila. A corrida, para variar, começou com um acidente, desta feita envolvendo Gresse Filho, que teve que abandonar a corrida. Após 05 voltas, a relargada fora dada, quando então Sperafico escapou na curva do café e bateu na barreira de pneus existente junto ao muro à época. Por conta do efeito amortecedor dos pneus, o carro voltou à pista, sendo atingido em cheio a mais de 200 km/h (perpendicularmente, no lado do piloto) por Renato Russo, que não conseguiu desviar.

O socorro, chefiado pelo Dr. Dino Altmann, não demorou a chegar, sendo em seguida acionada a bandeira vermelha e dado o encerramento da prova. Após cerca de 2 horas, a confirmação da morte de Rafael fora dada pelo Dr. Dino, em decorrência de traumatismo cranioencefálico com parada cardiorespiratória. Mesmo com o título de Gresse Filho, o clima de comoção tomou conta do padock e das arquibancadas lotadas naquela tarde.

Ainda naquele ano de 2007, Rafael Sperafico havia disputado a etapa de Londrina da Pick-up Racing, a bordo da estreante Agrale Marruá. Após largar na 3ª posição, liderou praticamente toda a prova, e só não venceu porque escapou da pista faltando 03 voltas para o final. Na última etapa do campeonato, disputada em Interlagos, uma semana depois do acidente fatal, todos os pilotos da Pick-up Racing correram com a testeira do carro homenageando Rafael.


Barber Dodge - 2002

Pick-up Racing - Londrina/2007

Stock Car Light 2007

Vitória em Campo Grande/2007
Barber Dodge 2001


Euro Formula 3000 - 2003

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Protótipo Radical Suzuki


Há um tempo atrás comecei a falar sobre os protótipos que disputaram edições da Mil Milhas Brasileiras, com a intenção de criar uma sequência sobre o assunto. Confesso que deixei a pauta de lado, porém, nunca é tarde para recomeçar.

Hoje a postagem é sobre o Protótipo Radical Suzuki SR3, que disputou provas no Brasil entre 2003 e 2005, inclusive os 500 km de Interlagos em 2003 e as Mil Milhas em 2004. O bólido em questão é fabricado pela construtora inglesa de mesmo nome, fundada em janeiro de 1997 por Phill Abbott e Mike Hyde. Como unidade propulsora, possui o motor 4 cilindros de 1.500 cc da motocicleta Sukuki Hayabusa, cuja potência gira em torno de 252 cavalos, sem turbo. Aliado ao baixo peso (pouco mais de 500 kg), o Radical SR3 é capaz de bater carros bem mais potentes e que pertencem a categorias acima da sua. E para domar a pequena fera, câmbio sequencial de 06 marchas.

A estréia em pistas brasileiras ocorreu na rodada dupla (11ª e 12ª) etapas da temporada de 2003 Campeonato Paulista de Força Livre, como preparação para os 500 km daquele ano. Pilotado por Eduardo Souza Ramos e Guilherme Spinelli, o protótipo venceu ambas as etapas, tendo marcado ainda a melhor volta das duas corridas, sendo a mais rápida delas registrada em 1min44s237.

Esta marca fora logo baixada quando dos treinos classificatórios para os 500 km, pois o trio Eduardo Souza Ramos/Leandro de Almeida/Maurício Neves alcançou a 3ª posição no grid, com o tempo de 1min39s223. Na corrida, a 2ª posição na classificação geral, atrás apenas da incrível Mercedes Benz CLK DTM do saudoso Alcides Diniz, na ocasião pilotada também por Paulo Gomes e seu filho Pedro.

O Radical ainda correria em 2003 os 500 km do Rio de Janeiro, porém, em virtude de problemas no câmbio nos treinos livres, a dupla Maurício Neves e Ingo Hoffmann sequer pôde participar dos treinos classificatórios.

Para a Mil Milhas de 2004, dois exemplares do protótipo inglês foram preparados, sendo um turbo e outro aspirado:

#6 (turbo) - Valmir Benavides/Duda Pamplona/Michael Vergers (HOL)

#5 (aspirado) - Guilherme Spinelli/Maurício Neves/Beto Giorgi/Michael Vergers (HOL)

Enquanto o turbo registrou o 5 º melhor tempo, com 1min38s426, o aspirado partiu da 8ª posição, com 1min41s019. Na corrida, o #6 terminou na 6ª posição com 345 voltas completadas, após ocupar a 2ª posição durante a prova e enfrentar problemas com a caixa de direção. Já o #5, registrou 335 voltas, tendo terminado a prova na 8ª posição. Cabe ressaltar que o piloto Beto Giorgi fora punido com um time-penalty de 1 minuto, por ter ultrapassado o limite de tempo para a assinatura da súmula.

A próxima corrida fora os 500 km de Tarumã, quando o Radical aspirado disputou a prova sob o comando da dupla Leandro de Almeida e Roberto Nogueira. Saindo da 3ª posição, com o tempo de 1min02s871, o protótipo terminou a prova na 2ª posição, atrás novamente de um exemplar do DTM, desta feita, o Audi TT da família Negrão (Xandy, Xandynho e Guto).

Na sequência, veio as 300 Milhas de Interlagos, prova em que o bólido experimentou alguns problemas, tendo alcançado somente a 21ª posição, com Maurício Neves e Guilherme Spinelli.






domingo, 10 de dezembro de 2017

O Maverick amarelo de Alexandre Costa


É certo que já falei sobre este carro aqui no blog em outra oportunidade. Mas carro forte e bonito merece repeteco, e mais ainda quando é um dos grandes nomes da arrancada de nosso país. Trata-se do Ford Maverick 1974 de Alexandre Costa, da cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, que acelerou muito em nossas pistas no início da década passada.

O bólido possui preparação de primeira, com diversos componentes importados, como por exemplo, a suspensão Penske, além de esmerado trabalho nos componentes do motor (cabeçote e bloco), que faz render aproximados 700 cv no motor V8 302 aspirado, cuja cilindrada fora aumentada para 320. E se não bastasse tamanha potência, um kit nitro injetava mais alguns cavalos extra, ao ponto do carro marcar, no ano de 2005, o tempo de 9.335 nos 402 metros de Curitiba, quando disputava a categoria Estruturada (EST). Sem o nitro, o tempo subiu um pouco, ficando em 10.5 na Super Street Tração Traseira (SSTT).

Porém, a vitoriosa carreira do Maveco nas pistas fora interrompida na 4ª etapa do Campeonato Paranaense de 2005, quando um incêndio no motor causou grandes estragos no bólido. Mas, como uma verdadeira fênix, o V8 renasceu das cinzas ainda melhor, e após cerca de 03 anos, voltou à ativa, estando nos dias atuais devidamente guardado.








quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A meteórica história da categoria Super Clio no Brasil


No ano de 2002, fora lançado no Brasil o chamado Renault Speed Show, que consistia em um programa de investimento maciço da marca francesa no automobilismo, através de uma categoria de monopostos (Fórmula Renault) e outra de turismo (Copa Clio). Os campeonatos foram um verdadeiro sucesso, tendo revelado grandes talentos do automobilismo, como Lucas Di Grassi, Sérgio Jimenez, Marcos Gomes, Daniel Serra, entre outros.

Mas para a temporada de 2006, uma novidade agitou o evento promovido pela empresa do Ex-F1 Pedro Paulo Diniz: O lançamento da Super Clio, uma categoria de turismo com bólidos projetados especialmente para a pista, utilizando até mesmo componentes importados. A categoria vinha para sepultar de vez o mico que foi a chamada Super Megane, lançada em abril de 2003 e que nunca veio a estrear, em que pese ter sido divulgado que nomes como Chico Serra, Luciano Burti e Raul Boesel correriam pela categoria, bem como foram construídos alguns carros. Além disso, a etapa inaugural, programada inicialmente para agosto de 2003, fora adiada para o ano de 2004. E de 2004 para nenhuma outra data.

Já a Super Clio fora anunciada no final de 2005, sendo que a fabricação dos bólidos ficaria a cargo da tradicional Metalmoro, com as seguintes características:

Chassi tubular com carroceria em fibra de vidro
Motor 2.0 16v com cerca de 240 cv
Câmbio sequencial de 6 marchas Renault
Rodas aro 18 calçadas com pneus slick
Peso total fixado em cerca de 680 kg

No grid, pilotos já consagrados como João Campos, José Córdova e Elias Nascimento Jr, dividiam o grid com outros ainda em busca da consolidação da carreira, como Allam Khodair, Rafael Sperafico (in memoriam) e Wagner Ebrahim, além de equipes conhecidas em outras categorias, como a Gramacho Racing, Full Time Sports, Paioli Racing e Prop Car Racing. Somando-se a isto, tinha como aliada a transmissão ao vivo pela Band.

A etapa de estréia ocorreu no dia 14 de maio de 2006 (dia das mães), no autódromo Orlando Moura, em Campo Grande - MS. A pole fora registrada por Elias Nascimento Jr. (Full Time), com o tempo de 1min32s625, ao passo que a vitória ficou com Aldo Piedade Jr., após 21 voltas completadas. O pódio fora completado por Rafael Sperafico (Gramacho Racing) e Fábio Carreira, enquanto 11 pilotos no total participaram da prova.

As etapas seguintes, com pontuação válida para o campeonato, foram disputadas em sistema de rodadas duplas, com uma corrida no sábado e a outra no domingo e classificação independente para cada uma. Vejamos o resumo:

2ª Etapa - Autódromo de Brasília (por conta dos grandes problemas com o motor turbo, sobretudo em razão do subdimensionamento da turbina, a preparação das unidades de força passou a ser apenas na "receita" aspirada)

Corrida do sábado:

1º Allam Khodair
2º Aldo Piedade Jr.
3º Rafael Sperafico

Melhor volta: Allam Khodair - 2 min17s798 (traçado completo)

3ª Etapa - Autódromo de Tarumã

Corrida do sábado:

1º Wagner Ebrahim
2º João Campos
3º Aldo Piedade Jr.

Pole: 1min16s016 (João Campos)
Melhor volta: Wagner Ebrahim - 1min18s333

Corrida do domingo:

1º Wagner Ebrahim
2º Elias Nascimento Jr.
3º Fábio Carreira

Melhor volta: Elias Nascimento Jr. - 1min12758

4ª Etapa - Autódromo de Curitiba:

Corrida do sábado:

1º Rafael Sperafico
2º Elias Nascimento Jr.
3º Aldo Piedade Jr.

Pole: Wagner Ebrahim - 1min33s229
Melhor Volta: Rafael Sperafico - 1min33s080

Corrida do domingo:

1º André Bragantini Jr.
2º Wagner Ebrahim
3º Aldo Piedade Jr.

Pole: Wagner Ebrahim - 1min33s152
Melhor Volta: Rafael Sperafico - 1min33s083

5ª Etapa - Autódromo de Interlagos:

Corrida do sábado:

1º Luiz Frediani Jr.
2º Elias Nascimento Jr.
3º Aldo Piedade Jr.

Pole: Wagner Ebrahim - 1min49s800
Melhor Volta: Luiz Frediani Jr. - 1min52s279

Corrida do domingo:

1º Luiz Frediani Jr.
2º Wagner Ebrahim
3º Angelo Serafim

Pole: Wagner Ebrahim

Ao final do campeonato, Wagner Ebrahim se sagrou campeão, com 121 pontos conquistados, contra 100 de Aldo Piedade Jr. e 80 de Elias Nascimento Jr. Porém, no final de 2006, o Renault Speed Show recebeu um "golpe fatal": A Renault, após ser bicampeã de pilotos e construtores na Fórmula 1, anunciou que retiraria o apoio dado à categoria, o que significou o fim tanto da Fórmula Renault, quanto da Super Clio. A Copa Clio ainda sobreviveu até 2009, em virtude dos esforço empreendidos por pilotos e equipes.

Porém, já em 2012, os bólidos da Super Clio voltaram à pista, desta feita sob a batuta de Thiago e Paulo de Tarso Marques, e com o nome de Sprint Race. Desde então, a categoria tem feito grande sucesso, servindo de oportunidade para a transição de pilotos do kart para as categorias de turismo de nosso automobilismo.






segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Antônio Félix da Costa e a Stock Car: E não é que o Gajo fez bonito?


O piloto português Antônio Félix da Costa não é propriamente uma novidade na Stock Car. Isto porque a sua participação na rodada dupla disputada hoje no autódromo de Goiânia, foi na realidade a 3ª oportunidade em que assumiu o cockpit de um Stock. Porém, esta foi a primeira vez em que competiu sozinho, pois tanto na etapa de abertura da temporada de 2015 (Goiânia, quando terminou no 3º lugar), quanto na de 2016 (Curitiba, segundo lugar), fora o piloto convidado de Allam Khodair.

E o português de Cascais logo mostrou a que veio, pois no primeiro treino livre da sexta feira, marcou o 5º melhor tempo, enquanto que na classificação foi o 6º melhor colocado. Na primeira corrida, registrou por duas vezes a volta mais rápida, bem como chegou a liderar a prova por algumas voltas, antes de fazer o reabastecimento obrigatório, que na verdade foi apenas um splash and go, ante o pouco combustível colocado. Porém, foi o suficiente para devolvê-lo na 3ª posição, colado nos líderes, Daniel Serra e Ricardo Zonta, e forte o suficiente para resistir às investidas de Marcos Gomes, com quem chegou a tocar roda com roda, numa demonstração de competitividade de ambos.

Após ser um dos pilotos vencedores do Hero Push (ou melhor, do botão de ultrapassagem extra, concedido para os 3 pilotos mais votados pelos fãs), Félix da Costa largou do 8º lugar do grid da segunda prova. Porém, a corrida durou apenas 01 volta, visto que teve de recolher o carro para os boxes depois de escapar da pista, em razão de um toque com Marcos Gomes. Mas, o que ficou registrado foi a grande competência e o incontroverso talento do lusitano, que com pouco tempo de contato com o carro, fez o que vários pilotos que disputam a temporada regularmente não conseguiram fazer.


Goiânia - 2017 (Foto: Fábio Davini)

Curitiba - 2016

Goiânia - 2015 (Foto: Fernanda Freixosa)